Você Tem o Direito de Concordar Comigo

Há duas correntes divergentes reinando no Twitter atualmente: os que odeiam tudo e os que querem te obrigar a gostar do que eles gostam.

Vou falar sobre a segunda, que tenho observado com cada vez mais frequência.

Dia desses um canal de televisão pendurou um cara em algum lugar de São Paulo como parte da campanha de divulgação de um novo programa.

Tudo foi transmitido por uma câmera ao vivo, tags foram criadas e quanto mais o link da transmissão fosse retwittado, mais o cara subiria.

Eu não dei a mínima para a história, mas observei um movimento intimidatório por parte de alguns.

Começaram a pipocar frases do tipo “se você fala mal de quem pendura uma melancia no pescoço e implanta chifres de silicone na bunda você não merece viver”.

Aí eu comecei a me incomodar, já que antes não tive a mínima vontade de acompanhar a função, principalmente depois que vi que envolvia uma cruza entre um índio Kayapó e um figurante de Hellraiser.

Hellraiser

Oh hi!

Eu não vou entrar no mérito da questão, cada um faz o que quiser com seu corpo, por mais idiota que seja. Se o seu ideal de vida é se transformar em uma aberração que só atrairá aberrações do sexo oposto, legal.

Ou talvez você seja rico e atraia alguma Maria Aberração, assim como os jogadores de futebol atraem Marias Chuteiras.

Meu problema é a obrigação de concordar e aplaudir. Morreu o conceito de debate e instaurou-se a ditadura do que é certo, bonito e legal. Ou você gosta ou não merece fazer mais parte da raça humana.

Hoje ainda eu e o Marcel, do Byte Que eu Gosto, comentávamos sobre a ditadura da estupidez reinante.

Inclusão Digital

Tudo isso é bem resumido por uma frase do tempo em que o pessoal do Casseta e Planeta fazia humor engraçado: vá ao teatro, mas não me chame.

Escrito por

j. noronha criou esse site em 2006, além de outros menos memoráveis.

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