Você precisa ter um blog?

Muito se fala e discute sobre conteúdo em blogs, alguns defendem uma linha editorial rígida, outros apedrejam quem escreve sobre assuntos da moda para atrair visitantes, mas uma coisa é certa, e isso até uma não-autoridade no assunto como eu pode afirmar: seja qual for o assunto, deve ter o ponto-de-vista do blogueiro.

Todo dia me deparo com dúzias de blogs que simplesmente repetem o que está na página inicial dos grandes portais ou reproduzem notícias que encontraram em jornais.

A popularização do veículo e a facilidade em ter um blog fez com que muita gente que tinha dificuldade até com o clássico tema “minhas férias” no início do ano letivo se lançasse a blogueiro wannabe.

Tudo muito lindo, escolhe a ferramenta, Blogspot ou WordPress, para ficar nos mais populares, escolhe um tema e depara-se com a tela em branco. E agora? Começa a vasculhar a internet em busca de assunto, mas é difícil acrescentar algo. Daí vem a “grande sacada”, claro, copiar e colar: Famosa de Tal foi pega fazendo xixi na no corredor do cinema; Celebridade da Silva foi flagrado no motel com Modelo e Atriz de Ostenburg.

Aí o cara lê em algum lugar que para ter visibilidade e aparecer no Google, precisa de links, mas como conseguir links? Pedindo, é claro.

Começa então a via-sacra por todos os blogs que encontrar pela frente; deixar um comentário que invariavelmente diz algo do tipo “estou começando um blog, poderíamos trocar links etc.”

Pausa para comentar aconselhar: não peça links, nunca, never, nem que a sobrevivência da civilização ocidental como a conhecemos dependa disso. Se tem uma coisa que qualquer blogueiro com um pouquinho mais de tempo de janela detesta mais até que conexão fora do ar é newbie pedindo link.

Raciocine comigo, padawan, você copia tudo que vê no UOL, Terra, Folha Online, IG e sabe-se lá mais o que. Por que alguém iria linkar seu blog? Blogs funcionam muito à base de discussões e complementações de assuntos em voga. Se eu tivesse visto algum post sobre esse assunto antes de começar a escrevê-lo, certamente linkaria o blog em questão, seria um complemento recíproco, um leitor de meu blog poderia ver o ponto de vista de outro sobre o mesmo assunto, mesmo que totalmente contrário, e vice-versa. Ele ganharia um link, eu ganharia um trackback e os leitores ganhariam em conteúdo.

Voltando à questão inicial, me arrisco a dizer que literalmente qualquer coisa serve como assunto, o que conta é o cérebro por trás do teclado. Você pode fazer com que o leitor mais leigo em informática do mundo leia até o fim um artigo sobre Linux, dependendo da maneira com que for conduzido, assim como pode fazer com que ele saia correndo depois da primeira frase.

Um bom exemplo, fora do meio, é de um programa que eu costumava assistir no Canal Multishow, quando era assinante da Sky; esse programa (produção do Channel 4 inglês) apresentava os comercias premiados pelo mundo afora e teve vários apresentadores, todos eles comediantes britânicos de uma fina ironia. O programa valia tanto pelos comerciais interessantes quanto pelos comentários entre as apresentações.

Pois o Canal resolveu lançar uma versão brasileira, em que publicitários apresentavam os comerciais. Todos os programas que consegui assistir tinham uma característica em comum, os apresentadores eram chatos, eu disse muiiiiiiiiiiiiiiiiiiito chatos. Se chatisse causasse terremotos, conseguiriam facilmente 10 graus na escala Richter.

O que isso quer dizer? Respondo com um ditado comum aqui no Rio Grande do Sul: “ovelha não é prá mato”. Analise seu blog, se desde que ele iniciou você não conseguiu escrever uma linha original e 90% de seu conteúdo é cópia do que circula por aí, desista. Quem sabe origami?

Os termos em negrito fazem parte da segunda parte desse artigo, a ser publicada: “o dialeto dos blogs”.

Escrito por

j. noronha criou esse site em 2006, além de outros menos memoráveis.

Siga-me no Twitter

Gostou? Receba mais no seu email, é grátis!