Eu sempre pensei que as maiores bobagens escritas nos comentários de blogs em geral fossem obra de paraquedistas semi-analfabetos que digitam freneticamente em seus teclados cobertos de baba.
Estava errado.
Descobri uma nova especie, que se julga culta, inteligente e sagaz, mas que na prática é incapaz de usar um argumento que faça juz a imagem que tem de si próprio: o pseudo-intelectual.

Crédito da imagem: Como Fazer uma Monografia Pseudo-Intelectual Nota 10
Algumas características se fazem presentes em todos os exemplares que cataloguei. Bem vindo-ao mundo pseudo-intelectual.
- Passa horas lendo e pesquisando sobre assuntos que não entende… e continua sem entender. Um intelectual verdadeiro passa mais tempo no boteco bebendo cerveja com os amigos e rindo do mundo ao redor do que buscando respostas para perguntas que ninguém fez.
- Tem apenas amigos pseudo-intelectuais, como ele. Um intelectual verdadeiro tem todo tipo de amigos, de garçons a fisicos nucleares, e não faz diferença entre um e outro; ele sabe que a vida é curta e os bons momentos raros para perder tempo com asneiras.
- Não sabe argumentar. O pseudo-intelectual não argumenta, apenas ataca quem escreveu algo com que ele não concorda.
- Não tem ideias próprias. O pseudo-intelectual não argumenta, como mencionado no item anterior, porque é incapaz de um pensamento original. Ele simplesmente lê o que outros disseram sobre determinado assunto, adota a opinião dominante e ataca quem discorda.
- Tem um blog. Todo pseudo-intelectual que se preze tem um blog onde escreves textos tão longos quanto chatos, usando e abusando de termos obscuros, em um estilo que ele pensa ter copiado de Umberto Eco, apesar de nunca ter conseguido passar da página 50 d’O Nome da Rosa. Seus amigos pseudo-intelectuais visitam seu blog religiosamente todos os dias e deixam comentários concordando com tudo que ele escreve, junto de links para textos mais chatos e longos ainda, em seus respectivos blogs, onde corroboram a tese, seja esta qual for.
- Adora filmes iranianos. Você certamente conhece um desses. Ele vai a qualquer filme onde o personagem principal tem menos de 12 anos e passa 2 horas envolvido com um sapato novo, ou velho, em cenas contemplativas que duram no mínimo 20 minutos.
- É fã incondicional do Lars Von Trier. Os comentários desse artigo valem por mil palavras.
- Não gosta de nada trash. Para o pseudo-intelectual, só é interessante o que é profundo e, para ele, profundo é o que ele não entende, apesar de fingir que sim.
- Finge que gosta de música clássica. Mesmo pensando que as Bachianas foram escritas por Bach. No fundo, gosta mesmo é de Família Lima, que pensa tratar-se de música clássica, por ter violino no meio.
- Não tem senso de humor. Como suas ideias não são originais, ele não pode dar-se ao luxo de rir com qualquer tipo de humor que escape de sua capacidade de discernimento. Que é nenhuma.
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Muito bom! Descreveu e enumerou tudo…
Cara e eu conheço uma pááááá de gente assim… Dá uma vontade fod@ de estapear até o infeliz sair de casa e descobrir que SIM, HÁ VIDA ALÉM DA WIKIPÉDIA! \o/
P.S.: Comentário noob inevitável: MASSA O BLOG, CARA! PASSA LÁ NO MEU…! *NOT!*
hahahahahahahahaha, na faculdade de Geografia tinha um monte desses. Na questão do cinema pode colocar aqueles filmes brasileiros sobre o sertão nordestino onde existem longas cenas contemplativas sobre a falta de água, pobreza ou uma mula (você escolhe quelquer um dos temas que já dá para fazer um filme).
Quantos itens me transformam num pseudo-intelectual ? ahhaha mto bom o post!
Nos comentários do post que você linkou os toscos tentam te sacanear desejando que você morra escrevendo em blogs, como se defender o Polanski sendo um colunista da Folha fosse algo realmente transcendental.
Opa, então Dazaranha (de Floripa) é música clássica, pois também tem violino… #not
[]‘s
Compulsivo
Eu nunca passei da página 50 d’O Nome da Rosa \o/
É latim demais pra mim.
Eu só consegui ler O Nome da Rosa quando passei batido pelo latim. E o pior é que não faz falta, hehe…
Já fui devidamente avacalhada por essas criaturas… só porque disse que não sabia quem era a Família Lima…
Há pouco tempo confessei que não conhecia uns versos de Leminski em uma caixa de comentários. Pra quê… um ser, leitor de filosofias várias, só faltou me bater e não contente, foi no meu blog, e prosseguiu sua cantilena em tom ameaçador!
Como sou ignorante nos dois sentidos mais usados da palavra, dei-lhe a resposta adequada e coloquei no spam.
Você esqueceu do 11: a- Sempre que possível usam palavras que de maneira alguma podem ser consideradas parte (usual) do português atual. b- Quando perguntados sobre o que essas palavras significam começam a explicar com “Ahhhhhh… é mais ou menos…”