Larry Gopnik é professor de física na universidade MidWestern no final dos anos 60, leva uma vida perfeita e pacata, até o dia em que uma sequência de eventos vira sua vida de cabeça para baixo.
Um aluno tenta suborná-lo por aprovação, sua mulher anuncia que irá deixá-lo para casar com outro e assim por diante.

O filme mais recente de Joel e Ethan Coen passou praticamente despercebido, ao menos para mim, apesar de ter concorrido ao Oscar de melhor filme.
A história, por um lado, foge do que estamos habituados a ver nos filmes dos irmãos, a começar pelos atores. Nada de Frances McDormand, Steve Buscemi ou George Clooney. Nessa área há inclusive uma surpresa para os fãs de séries, mais precisamente The Big Bang Theory.
Há alguns componentes auto-biográficos, já que tudo se passa em uma comunidade judia, a mesma em que os irmãos (eles mesmos judeus) cresceram.
O filme faz uma mistura do Livro de Jó com o experimento teórico conhecido como Gato de Schrödinger, e tempera tudo com muita ironia.

Aos poucos vamos vendo o que era a vida perfeita do professor, através do filho que só se preocupa com a imagem da televisão e em fumar maconha com os colegas, a filha que passa lavando o cabelo e rouba dinheiro de sua carteira para fazer uma plástica no nariz, o irmão fracassado que passa o tempo todo no banheiro e dorme no sofá da sala…
Chamar o resultado de humor negro é simplista. O filme é mais sutil do que isso e várias vezes me peguei rindo de situações que seriam extremamente absurdas se não fossem tão possíveis.
Possibilidade. Essa é a melhor definição que eu encontro para os filmes dos Irmãos Coen. Suas histórias são muitas vezes chocantes pelo fato de fazer-nos pensar o quanto são tangíveis.
Não é um filme fácil, já vou avisando. Não espere maniqueísmo, ápices emocionantes e finais apocalípticos. Para isso temos dezenas de filmes 100% iguais disponíveis no mercado.
Também não recomendado para QIs de 2 dígitos, isso é certo.