Outro dia uma amiga comentou comigo que gostaria de saber o que as pessoas procuram no Google para chegar em um determinado site.
Ela não é blogueira e sua experiência com a Internet é a de um usuário comum, que entra em sites, faz compras online, assiste a vídeos etc; não é um tubérculo antropomórfico, veja bem.
A verdade é que quando você entra na Internet pela porta de serviço, criando conteúdo e tendo acesso aos bastidores, a visão não é das melhores.
As buscas são o de menos, muitas são divertidas pelo nível de estupidez, que surpreenderia até Einstein.
Eu amaldiçoo é o inventor dos comentários; se depender de mim, ele perderá um terço de sua colheita e seu primogênito casará com uma lhama vesga.
Manter um blog em português é ter acesso à fina flor do pensamento do brasileiro, algo como um psiquiatra que apenas espia.
Alguns tipos se repetem e eu acredito que seja possível traçar um perfil da nossa população pela maneira como ela se comporta ao comentar algum assunto.

O Mendigo
Quer tudo de graça, ele procura filmes, músicas, programas, existentes ou não. Se você escrever um artigo prometendo injeções na testa de graça, ele quer.
O Capitão Kirk
Quer que tudo seja enviado para seu e-mail, que para ele funciona como um teletransporte. Um filme foi lançado em Blu-ray e você escreveu uma resenha? Bingo, ele cai de paraquedas procurando o filme para baixar e quer que você envie 50GB para seu e-mail.
O Ditador
Ele acredita na liberdade de expressão, desde que a opinião seja igual à dele. Quando isso não acontece, ele se transforma em uma criança mimada que grita e esperneia.
O Moderado Esquizofrênico
Também conhecido como Dr. jekyll e Mr. Hide, ele começa bem seu comentário, com um raciocínio que parece até ser emitido por um ser pensante. O problema é que ele muda de ideia enquanto escreve e tudo termina com um desfile de adjetivos como mané e outros menos publicáveis.
O Coitado
Pensa que existe algum mérito em ser ou ter sido pobre e que o mundo deve homenagear isso. Qualquer coisa que você escreva que ele não goste é uma afronta à sua origem humilde e você automaticamente se transforma em um playboy, filhinho de papai e outros lugares-comuns. Por falar em lugar-comum…
O Lugar-Comunense
“Sem caminhão o Brasil para.”
“Ninguém é melhor do que ninguém.”
Você conhece o tipo, pergunte o por quê de qualquer uma de suas afirmações e obterá como resposta nada ou um desfile de agressões verbais.
O Medroso
Ele não tem opinião sobre nada e se revolta quando encontra alguém que tem. É primo do Ditador mas não tem personalidade suficiente nem para xingar, o que leva a uma enxurrada de frases desconexas que terminam com algo como “Querer mudar o mundo é prepotência!”
O Fã
É difícil definir a personalidade de um típico fã, seja do que for que ele goste, mas vou tentar dar a receita: pegue uma fã alucinada dos Beatles em pleno anos 60 e remova o cérebro.
O Analfabeto
É até redundante falar em analfabetismo nessa altura do artigo, já que todos os citados anteriormente não têm uma relação muito boa com a língua portuguesa, mas o analfabeto vai além, é simplesmente impossível entender o que ele escreve.
O Adolescente
Peça fundamental da Internet, sem ele todos os sites de pornografia fechariam. Ele passa 23 horas por dia frente ao monitor envolvido com a regra 34. Seus comentários se resumem a sequências de letras sem sentido (é difícil digitar com uma mão só) e coisas do tipo “é minha vizinha”, “trabalha no Carrefour” e “já comi”.