This is not a love song

Nesta hora em que “bimbalham os sinos” (Paulo Francis se revira no túmulo nesse momento, quem lia sua coluna lembra da história dos sinos), todo mundo é amigo de todo mundo, você beija a sogra e vira a taça de filtrado doce.

Como eu não sei escrever mensagens de Natal, deixo um poema (ah não, poesia numa hora dessas?) para lembrar todo mundo que a vida volta ao normal amanhã.

VERSOS ÍNTIMOS

Augusto dos Anjos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

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