Alguns desenhos animados se tornam clássicos, como a Pantera Cor-de-Rosa, para citar apenas um.
Os estúdios, na tentativa de capitalizar ao máximo esses sucessos, cometem um erro que considero fatal, criam desenhos caudatários que na maioria das vezes são uma tortura assistir.
Há um tempo, a Rede Globo exibiu alguns episódios de um novo desenho da Pantera, com uma característica “inovadora”: ela falava! Além disso, suas aventuras eram de uma estupidez a toda prova, situações sem nenhuma criatividade e despidas do nonsense do original.
Seqüências de filmes de sucesso padecem do mesmo mal, principalmente os filmes de terror ou suspense. Pior ainda quando o sucesso é inesperado.
O Albergue, por exemplo, foi um relativo sucesso pela imensa quantidade de violência às vezes nauseante. Era um filme para maiores de 18 anos, inclusive.
Na seqüência, diluiu-se a violência para atingir um público maior, resultado? Uma piada de mau-gosto, previsível do início ao fim. Ou alguém duvidava que das três protagonistas iniciais, apenas a feia morreria de forma escatológica?
Quando você escreve um texto que cai no gosto do público, gerando discussão e links, pode surgir a tentação de criar outros no mesmo estilo, mas que na verdade nada acrescentam ao original.
Imagine Shakespeare escrevendo Romeu e Julieta II, a ressurreição. Dificilmente atingiria o mesmo público que teve o original, com uma imensa desvantagem. O público atraído seria de um nível intelectual infinitamente inferior, como geralmente o é quem consome esse tipo de coisa. Ao invés de ser lembrado como um clássico, seria apenas aquele cara que escreveu alguma coisa boa e muito lixo, se não caísse no completo esquecimento.
Você já deve ter visto, e muito, em trailers e capas de DVDs, a máxima “na linha de tal filme“. Se um filme precisa fazer referência a outro para ser assistido, certamente não é boa coisa, só vai atrair quem não sabe discernir criador de criatura.
Ninguém espera que você escreva um Romeu e Julieta por dia. Alguns textos serão um sucesso e outros não. Aprenda a lidar com isso e não caia na tentação de reescrever o mesmo texto sem nada a acrescentar.
Ou isso, ou encontre alguém que saiba o nome do ator principal de Tubarão III.