De uns tempos para cá é cada vez maior a importação de ideias que deram certo lá fora. O problema é que nem sempre o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.
Rodeios
Os rodeios começaram na Espanha e no México, mas ganharam visibilidade mundo afora graças aos Estados Unidos, onde são a principal fonte de diversão de caipiras gordos, na metade do tempo em que não estão em um bar enchendo a cara ou espancando minorias.

Algum brasileiro, provavelmente paulista, achou que era uma boa ideia copiar tudo, das roupas de caubói à bosta dos touros, e lançou a versão brasileira dos rodeos.
Para aumentar o apelo popular, importou algumas duplas sertanejas de Goiânia, já que música para cornos combina bem com bovinos e voilà, estava feita a festa.
Eu não sei o que causa maior vergonha alheia, copiar roupas e rituais de um show, uma festa, seja lá o que se chame aquilo, ou o fato de terem copiado o passatempo preferido de gente que se orgulha de uma guerra em que lutavam pelo direito de ter escravos.
Halloween

Todos sabem o que é Halloween, o chamado “Dia das Bruxas”, que acontece em 31 de Outubro, onde crianças estadunidenses se fantasiam e saem a pedir doces pelas casas da vizinhança.
Era apenas questão de tempo até que um gênio brasileiro resolvesse importar a tradição.
O prêmio estupidez congênita é maior, porque esse dia de festa já existia no Brasil, com o nome de Dia de Reis, onde as crianças se fantasiavam e saíam a pedir doces, 6 de Janeiro, para ser mais preciso.
Você pode argumentar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas a questão é que, se no Dia das Bruxas norte-americano o que interessa às crianças são apenas os doces, aqui também não interessava o motivo.
Stand Up Comedy
Stand Up é um gênero de humor tipicamente norte-americano, onde um sujeito sobe ao palco e ironiza situações comuns do dia-a-dia, mostrando o ridículo e tirando graça de onde aparentemente não há.
Seja de forma escrachada, desbocada ou sofisticada, o humor é feito sempre da mesma forma: uma pessoa, um microfone e uma plateia.
Claro que não ia demorar muito até que alguém comprasse a ideia por aqui. Mas, e tem sempre um, o cara achou que a plateia brasileira não teria inteligência o suficiente para entender esse tipo de humor e adaptou o estilo, transformando em algo que eu chamaria de “palhaçada idiota”, para não correr o risco de ser grosso.
Ou, e eu acredito mais nessa segunda hipótese, os importadores não tem inteligência o suficiente para criarem textos engraçados e acharam mais fácil ficar encenando piadas que você recebe no e-mail desde 1999.
Claro que alguém vai lembrar de um ou outro que realmente tem talento e é engraçado, mas esses não aparecem no Faustão. Sim, Faustão, só ele para interagir com o comediante e ainda explicar as piadas.
Sites Sociais

Sites sociais, na falta de uma tradução melhor, são aqueles onde o usuário envia links para coisas legais, outros usuários votam no que acham mais legal e esses links vão para a página inicial.
Em tese, perfeito, na prática, só o UÊBA funciona, porque o usuário só participa do processo na hora de enviar o link, o resto é feito pelo Knuttz, com mão de ferro.
Em todos os outros, e eu disse todos, cada usuário só envia e vota seu próprio material, com o auxílio de dezenas de contas diferentes criadas por ele mesmo. A variação é quando grupos se reúnem, uns votando no que os outros enviam. De qualquer forma, o resultado final é uma página inicial cheia de bizarrices que, em pouco tempo, não atraem nenhum leitor, levando o site à morte.
Versão Brasileira

Ter uma ideia original não é fácil, certo?
Você passa horas na frente do computador, pensando em algo que vai fazer você ganhar rios de dinheiro, mas a ideia não vem.
Aí você descobre que alguém teve uma ideia genial e colocou essa ideia em prática em inglês… Bingo!
Você é medianamente esperto (leia-se mediocre) o suficiente para saber que seus compatriotas mal falam português, então é fácil fazê-los pensar que todas aquelas tirinhas com personagens mal-desenhados, com foco no texto sarcástico e na maioria das vezes beirando a escatologia saíram de sua cabeça.
Essas redes sociais, ou diggs, ou sei lá o que, só têm lucro com o trabalho gratuito dos outros.
O diabo está nos detalhes. Adorei a pimenta no último trecho do teu post.
Até que os dhows de stand-up comedy valem a pena, tem ótimos comediantes (Diogo Portugal e os caras do CQC por exemplo).
Mas rodeio e halloween… realemnte, duas bistas. Deviam ficar lá nos EUA.
1 – Não esqueça que o Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravatura, então normal essa mentalidade.
2 – Copiar outras culturas é normal. Nada se cria, tudo se transforma (vide vídeo-cassetadas, olimpíadas do faustão, etc). Mas bem que podia copiar alguma coisa interessante.
Cara, acho que vc cometeu uma pequena gafe ao falar de comedia stand-up. O Brasil em comedia stand-up ta detonando, desde meados de 2006 que eu assisto aos shows do CLUBE DA COMEDIA STAND-UP e eles sao muito bons.
Vide qualquer video do Rafinha Bastos no youtube, alem de Oscar Filho, Marcelo Mansfield, Diogo Portugal entre outros tantos.
De resto o texto ta bem legal.
abraco
Eu me refiro aos muitos que já vi, que dizem fazer stand up comedy e na verdade ficam fazendo personagens e encenando piadas.
Matou a pau!!! a gente só copia o que não presta,já as coisas boas…
Como ninguem copia iara, logo eu sou coisa boa