Ouvi no rádio sobre uma pesquisa, provavelmente feita na Inglaterra, já que lá eles parecem ter tempo e dinheiro para pesquisar literalmente qualquer coisa, que dá conta daquilo que já sabemos há tempos sem gastar um centavo.
60% dos visitantes de um site chegam a uma página específica, via mecanismos de busca (leia-se Google) e vão embora sem tomar conhecimento de mais nada.
A pesquisa analisou esse resultado como um “refinamento” do usuário ao buscar por algo.
Claro que nós sabemos que isso é resultado da democratização da rede.
Hoje em dia, o analfabeto digital não sabe que uma página é parte de um todo, e não quer saber. Ele não tem idéia do que são favoritos, feed é um palavrão escrito errado.
Ele entra no Google, digita o que procura e clica nos primeiros resultados da primeira página de resultados.
Se ele quiser saber sobre aquilo novamente, repetirá o processo, e assim ad infinitum.
Resumindo, a Internet é algo que ele usa para procurar coisas aleatórias, nos 2% do tempo em que não está no Orkut, Myspace, MSN e afins.
Por sinal, para a grande maioria dos usuários, os sites ou serviços acima nem fazem parte da Internet.
Dentro desse cenário, fica difícil falar em relevância, que é novamente a discussão da semana.
Antes de mais nada, o que é relevância?
Se você procura por “fotos da minha irmã pelada”, como já vi várias vezes nas estatísticas, dificilmente algum resultado será relevante.
A Lúcia Freitas escreveu um texto muito bom sobre o assunto, e me chamou a atenção a parte onde ela menciona a influência de um programa popular como o Faustão no comportamento do navegante (odeio o termo internauta).
O Norberto cobra ações efetivas, refletidas no mundo offline.
O Renato Shirakashi levantou a pedra inicial, falando sobre a baixa qualidade de muitos textos, o excesso de publicidade editorial e a existência de um “grupo dominante” que dita, ou tenta ditar, os rumos de tudo.
Vamos por partes.
Relevância é algo tão relativo que não deveria nem ser discutido.
Eu tenho o gosto mais fútil do mundo por textos, visito diariamente o Cracked e dou boas risadas.
A Amazônia pode estar sendo devastada, mas eu prefiro muito mais ler sobre os 5 insetos mais aterrorizantes do mundo.
Para mim, isso é muito mais relevante do que o aquecimento global.
Por falar nisso, já notaram que não falo em ecologia aqui?
Minha opinião é meio radical, acho que o mundo não precisa da humanidade, que já provou não merecer nada do que usufrui. O que a Terra está fazendo é uma faxina, e eu não vou atrapalhar.
Mas, voltando ao que interessa.
Acho muita pretensão pensar que temos alguma importância em qualquer área, sob qualquer prisma.
Domingo passado eu estava assistindo ao Pânico na TV e eles perguntaram àquela atriz que faz a Bozena no Toma Lá Dá Cá de onde ela tinha saído.
- Eu faço teatro há dez anos.
É aí que me refiro, mais do que Misses Cangaíba, somos atores e atrizes de teatro da Internet.
Existe um grupo dominante?
Mais importante é perguntar dominante do quê.
Para concluir esse samba do blogueiro doido, um excerto do Marmota, do texto linkado acima:
Existe espaço pra todos, independente do objetivo: uma terapia, uma diversão, uma forma de aperfeiçoar seu texto, uma fonte de renda ou, em uma palavrinha simples, “basicamentepacumêmuié”.
