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Dois fatos ocorridos hoje conseguiram me chocar, coisa que eu pensava ser impossível. Dois fatos em dois extremos da Terra, aparentemente sem relação.

Primeiro, o enforcamento do meio-irmão de Saddam Hussein, que por “acidente”, uma corda comprida demais, acabou em decapitação.

Segundo, a derrubada do projeto que disponibilizaria implantes anticoncepcionais (esse link não é atual, mas tem pontos interessantes sobre a discussão) subcutâneos para mulheres de baixa renda, em Porto Alegre.

A guerra religiosa e étnica já dura 5000 anos no Oriente Médio, eles se matam desde sempre e continuarão se matando. Bush invadiu o Iraque com a desculpa das armas químicas, em busca do petróleo. Esse artigo que encontrei por acaso é bem esclarecedor quanto aos interesses americanos. Por sinal, os países daquela região foram armados pelos EUA, inclusive o Iraque. Saddam trabalhou para a CIA na administração Reagan e chegou onde chegou por mãos americanas.

Não digo que não deveriam ter sido enforcados, mas certamente seriam necessárias muito mais cordas, para Bush e uma fila infindável de americanos atolados até o pescoço na lama dessa guerra.

Em Porto Alegre, um projeto que visava, se não acabar, diminuir o problema da gravidez na adolescência e mesmo na idade adulta, foi barrado. ONGs e outros desocupados, que só sabem discutir, conseguiram jogar areia em algo que poderia funcionar.

É muito fácil discutir o problema dos outros em escritórios acarpetados e com o ar condicionado ligado. Algumas questões levantadas:

  1. a falta de sintonia com os princípios dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos de mulheres e homens;
  2. as altas taxas de descontinuidade revelada pelo “implante a base de etonogestrel” devido, sobretudo, a seus efeitos colaterais (alterações no sangramento) – um estudo mostrou 17% de casos em que o sangramento assume um “padrão inaceitável” e outros mostraram taxas de remoção do implante de 23 a 37% em 12 meses de uso.
  3. a baixa efetividade do método – comparativamente aos contraceptivos já disponibilizados pelo SUS o custo deste implante é muito superior.
    o desincentivo à adoção da dupla proteção (gravidez e HIV/ Aids) com o uso combinado do preservativo masculino ou feminino com outro método anticoncepcional.
  4. a perda da perspectiva da integralidade no cuidado à saúde.
  5. a possibilidade de que esta ação seja um veículo de propaganda de determinado método anticoncepcional, como estratégia para ampliação de mercado.

Foi levantada também, entre as razões para barrar o projeto, a responsabilidade paterna. Que responsabilidade? Não existe e não vai existir tão cedo, não importa o que digam feministas e afins.

Barraram o projeto, por acaso agora a responsabilidade surgiu como que por encanto?

Analisando rapidamente a questão:

  1. Direito à reprodução não significa direito à lançar uma horda de subnutridos nas ruas da cidade. O ser humano tem direito ao sexo, colocar dúzias de crianças no mundo fadadas à desassistência é outra história.
  2. Gravidez também tem muitos efeitos colaterais, principalmente numa mulher mal nutrida e que passa longe de um pré-natal.
  3. Pílula anticoncepcional é mais barata mas elas não tomam, ponto. Se usassem camisinha, não engravidariam. Não é porque não usarão esse método que passarao a usar camisinha.
  4. ?
  5. E se for? Qualquer iniciativa nesse sentido deveria ser bem-vinda.

O que tudo isso tem a ver com o Iraque? A barbárie.

Enforcamento que vira decapitação é digno dos tempos de Átila, o huno. Colocar mais gente para sofrer nesse mundo, enquanto ONGs que muitas vezes só querem se aproveitar dos incentivos fiscais para encher os bolsos e, enquanto isso, ficam debatendo a vida dos outros, é uma barbárie moderna, típica das grande cidades.

Escrito por

j. noronha criou esse site em 2006, além de outros menos memoráveis.

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