Uma noite dessas no Twitter um idiota qualquer afirmava que “preferia trabalhar honestamente do que ganhar dinheiro com blogs”.
Eu sei, essa história é velha para quem bloga profissionalmente há mais tempo. Olhamos para essa gente como quem olha para uma adolescente histérica fã de Crepúsculo e seguimos com nossa vida.
O que se vê na Internet no Brasil é um reflexo da mentalidade do brasileiro médio: ele sonha com um emprego estável, de preferência no setor público, para realizar o “sonho da casa própria”.
Não importa que o emprego pague uma miséria e o “sonho” seja comprado a 4 horas e 3 ônibus de distância, nossos compatriotas precisam dessa sensação de segurança, mesmo que a única coisa segura seja os sábados à noite frente a TV, assistindo a Zorra Total.
Em lugares mais civilizados do mundo, ganhar dinheiro com o que se gosta é a coisa mais natural que existe. O fundador da Amazon gostava de livros e começou embalando os mesmos na garagem de casa para enviar aos compradores; ele não passava o tempo livre estudando para passar em um concurso que lhe garantiria uma vida medíocre.

Tio me Dá um Link Versão 2010
Lá pelos idos de 2007, quando publieditorial ainda se chamava post patrocinado, era comum receber vários e-mails por dia pedindo uma “parceria”, na maioria das vezes partindo de blogs que não duravam 2 meses.
No ano da graça de 2010, o “tio me dá um link” parte das agências de publicidade. É rara a semana em que não aparece meia dúzia de pedidos de divulgação de produtos ou serviços em troca de bugigangas. De kits não sei do que (leia-se chaveirinhos e afins) até sapatos, passando por convites para passar um final-de-semana na “capital brasileira do mosquito borrachudo”.
Para cada blogueiro que não se dá nem ao trabalho de responder a esses e-mails mau-caráteres, há 50 prontos para escrever um “publieditorial” e twittar à exaustão por um Bubbaloo sabor buchada de bode.
Se você quer viver de blog no Brasil, prepare o estômago, você verá muita coisa e gostará de muito pouco. Há gente boa no meio, mas é minoria. A maioria vende a mãe por uma mariola. E entrega.
Mídias sociais é um eufemismo para “vamos botar esses idiotas a trabalhar de graça”. Cabral voltou ao Brasil mais de 500 anos depois e os índios continuam encantados com os espelhinhos.
Conclusões Conclusivas
Pare de deslumbrar-se com qualquer e-mail que chega assinado por uma agência publicitária. Em 100% das vezes, esse e-mail tem mais 800 endereços em cópia oculta, isso quando o gênio da raça não coloca todos juntos e distribui seu e-mail Internet afora.
Se você tem um blog para contar o que aconteceu com seu cachorro, concentre-se no cachorro, comece a recusar espelhinhos ou, em bom português, crie vergonha na cara.
PS
E por falar em Problogger, aproveite e leia esse artigo d’Os Invicioneiros, a discussão nos comentários está rendendo bastante.
