Nos tempos do PC 386 e seu famigerado sistema operacional DOS (se você gosta, melhor para você), o Paulo Francis costumava dizer que o verdadeiro patriota era o Contrabandista de computadores.
Essa semana me lembrei dele quando saí para comprar um monitor de 19 polegadas.
Comecei minha via crucis no Carrefour, onde planejava jogar tudo no cartão e o juro é mais civilizado. Olhei a prateleira e notei que só havia modelos de 17, perguntei para o vendedor e ele: “o Carrefour não trabalha com monitores de 19 polegadas” (??????).
Mas com aqueles monitores de segunda linha vendidos como descartáveis no Japão e que parecem de brinquedo eles não se incomodam de “trabalhar”.
Parti para outra loja onde já compro há anos: 899 à vista. À prazo? 15 vezes de 89,90. Isso mesmo, compre um monitor e pague por um e meio. Se comprar dois, é a promoção compre 2 e pague 3.
Depois disso, até desisti, vou guardar o dinheiro e comprar à vista.
Hoje lembrei-me do assunto quando ouvi no rádio um comentário sobre o preço dos eletrônicos. Produtos que são vendidos no mercado americano por 250 dólares, chegam ao Brasil por 3000 reais. Considerando o dólar cotado a 1,90, o preço inicial é de 475 reais. Muito bem, tem o imposto, vamos colocar 200%: 475 + 200% = 1425. Vamos somar um gasto com transporte e despesas diversas de 50%: 1425 + 50% = 2137.
Mesmo com essas taxas e despesas absurdas que eu apliquei ao valor inicial, ainda resta um lucro de 863 reais, quase 100% de lucro.
O verdadeiro patriota de hoje é o camelô da esquina, e não tem como dar ouvidos a quem reclama que eles fazem concorrência desleal. Como é que alguém que pratica preços absurdos pode imaginar que venderia mais sem a presença do concorrente informal?
Cada vez mais os blogs de tecnologia e gadgets servem para suspirarmos e sonhar, já que quem vive nesse fim de mundo chamado Brasil não tem mesmo direito a uma sociedade de consumo de fato.
Quer um XBox ou um PlayStation 3? Procure num camelô perto de você.