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A Europa se curva ante o Brasil

O inglês é a língua do mundo, é um fato e tão cedo não vai mudar. Em vários países da Europa e na Holanda notadamente, é a segunda língua. Se você puxar assunto ou pedir uma informação para qualquer pessoa que seja, em inglês, será compreendido.

Da Suíça não tenho muitas informações, mas até onde eu sei, é um país tri-língue (existe isso?), e semana passada, a pedido de uma amiga, liguei para lá para pedir informações de um processo que ela aguarda o resultado. Todo mundo que me atendeu em alemão, bastava perguntar se falavam inglês e a conversa continuava naturalmente.

Se você entra no piratebay.com, que é o maior site de torrents da Suécia, um dos maiores, senão o maior, do mundo, vai ver que foi combinado nas regras que a língua padrão é o inglês, visto que o site tem visitantes do mundo todo. Os suecos visitam? Em massa, sem problemas com a língua.

Já no Brasil…

Como em tudo, o atraso e a ignorância andam de mãos dadas. Começa na escola, onde a maioria dos professores de inglês não falam inglês (!). Posso afirmar isso com conhecimento de causa, pois fui professor por dez anos (não de inglês) e pode-se contar nos dedos da mão do Lula (aquela) os professores que dominam o idioma.

Mas não deve-se culpar apenas a escola, observa-se também um certo orgulho da própria ignorância, como no diálogo que travei com uma aluna algum tempo atrás:

-…Não gosto do professor fulano, ele se acha muito!
-Por que?
-Eu perguntei de um logotipo no topo de uma prova e ele falou que fez no paint, ninguém fala paint.
-Mas é o nome do programa, paint brush.
-Só que ninguém fala assim, o certo é "painti" (a aberto, nota do autor).
-Ninguém que VOCÊ conhece fala assim…

Como ela não tinha argumentos para continuar, encerrou a discussão, com um ar de superioridade, superioridade às lesmas, talvez.

E la nave vá… vira e mexe é alguém falando que foi na "lan rouse" (lan house), jogar "meDAL" (medal of honor, alguém ainda joga?) e na volta foi comer um "maquidonaldi" (arfff…).

E o futuro? Ah tá, você acha que esse país tem futuro… é mais fácil os porcos tirarem carteira de habilitação.

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A Terra Árida

April is the cruelest month, breeding
Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain.

T. S. Eliot, "The Waste Land"

"A Terra Árida", de T. S. Eliot, escrito em 1922, não tem muito a ver com o assunto deste post, na verdade apenas o título tem a ver, mas eu sempre quis citar o autor e nunca tive oportunidade.

Terra árida é o que se vê na internet brasileira (existe isso?). Conversando com um amigo mais velho que tem filhos adolescentes, ele me disse que eles querem porque querem que ele troque de computador. Por que? Para entrar no orKUt e no MSN. Então me dei conta que esta é a realidade da maioria das pessoas, mesmo não adolescentes, quando entram na internet: olham os emails direto na página do servidor (não são capazes de configurar o outlook ou qualquer outro cliente de email) e, dali, direto pro orKUt (o MSN abre junto com o windows, eles não tem capacidade mental para olhar as configurações e mudar alguma coisa).

E volta e meia aparece alguém na televisão falando desta "geração que domina o computador". Domina my ass, se pesquisar no google e depois copiar e colar para fazer algum trabalho escolar e acessar um programa e um site é dominar, então a coisa e a situação estão realmente preta e feia, respectivamente.

Escrevi alguns posts atrás sobre entrar no orKUt e o por quê de não entrar, mas naquele caso não entrei mais a fundo na questão o que é o orKUt hoje: eu participo do mesmo faz mais de dois anos, quando entrei não havia tanta gente e era até difícil conseguir um convite. Havia os mesmos jogos de hoje e a gincana de popularidade, mas numa escala que não chegava a incomodar.

O que mudou? É o salve-se quem souber, comunidades são criadas em série e, se antes era divertido ficar atrás de bizarrices, fazer isso agora é um exercício de paciência. Já tem gente vendendo espaço publicitário em comunidade (pior é quem compra!!!). E os internautas Sílvio Santos? Parecem saídos de uma caverna, tendo o primeiro contato com a civilização e as letras. Prá completar, dia desses tinha um cara vendendo uma comunidade na mercado livre! Caso encerrado.

E essa é a gente que "domina computador". A próxima vez que você ouvir algum político falando em "futuro da nação", trema. Prá que construir mais escolas se essa gente parece não tirar proveito? Bom mesmo seria promover uma campanha de analfabetização, pelo menos não teríamos que ler esse tipo de coisas que as "miguxas" perpretam pela rede.

Não vou nem entrar no mérito do MSN para não me estender demais, mas concluindo a questão que dá título ao post, esta terra árida só tende a ficar deserta, mais e mais. Reclamações para o Wal Mart e seus PCs de R$ 1000,00.

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Seis razões para odiar o Windows


Me dei conta que esse blog nunca publicou uma lista, característica indispensável no gênero. E qual a primeira coisa que me vem à cabeça? Avacalhar o windows, é lógico. Depois de muito me incomodar, deixei a preguiça de lado e vou começar a mexer com linux, chega! Eu uso windows xp, tudo bem, é um avanço em relação ao windows 98, mais ou menos como dizer que o chevette 84 é um avanço em relação ao fiat 147. Só que o windows xp também é um produto típico da microsoft: traz avanços que você não precisa e falha no que não pode faltar. Mas vamos à lista:

  1. Quem usa o Internet Explorer (já que quem usa essa porcaria geralmente não é muito experto, vou explicar melhor, é aquele e azul que você clica para a internet) já passou por isso, você abre a tranqueira e ao invés de exibir uma página em branco que você selecionou em opções da internet, abre uma página do msn que demora mais ou menos 5 minutos incomodando e só para de carregar se fechar tudo de vez.
  2. Você digita o endereço de seu site favorito e erra uma letra, no lugar dele, aparece uma página de busca não se sabe de onde, com a chancela msn search.
  3. Uma das últimas atualizações do windows xp trouxe embutido mais um bug, um, digamos assim, programinha chamado DEP, que antes só quem era geek sabia que existia, agora dá o ar da graça toda hora. Ele tem a função de proteger o computador de algum programa mal-intencionado, um vírus, por exemplo. Só que ele entra em ação quando você usa freqüentemente um aplicativo, principalmente o bloco de notas. Ainda não tive saco para contornar isso, e toda hora fica abrindo janela dizendo que vai fechar isso e aquilo.
  4. Os arquivos são associados a programas, isso é legal, dá-se um duplo clique e o respectivo programa abre. E quando não tem programa associado? Abre uma janela, com a opção de escolher um programa ou procurar na internet. Mas por que diabos a opção pré-marcada não é a de escolher? Alguém já encontrou alguma solução com o "auxílio" da microsoft?
  5. O windows media player, alguém sabe me explicar por que a versão mais recente é infinitamente inferior à anterior? E por que ele fica insistindo que eu atualize? E por que os codecs dessa carroça não rodam nenhum tipo de formato de filme que interessa assistir?
  6. Por que a microsoft insiste em pensar por mim? Se eu quiser determinada opção em um programa, eu escolho. O msn vem como padrão iniciar com o windows, assim como a maioria das aberrações que eles criam. Isso só pode ter uma explicação, eles devem estar usando crianças de 5 anos no lugar de programadores, ou estão desesperados para entregar tudo ao linux.

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kafkianas

I write differently from the way I speak, I speak differently from the way I think, I think differently from the way I should think - and so it goes on into the darkest depths of infinity.

(Letter to Ottla, July 10, 1914)

Noite dessas estava assistindo a O processo, filme baseado no livro homônimo de Franz Kafka. É a história de um funcionário público ou coisa do gênero que leva uma vidinha medíocre até o belo dia em que, do nada, é processado por algo que nunca é esclarecido o quê, nem a ele, e vê sua vida entrar numa espiral de loucura até o final, em que é executado, também sem explicações.

Se eu tivesse paciência prá entrar no orKUt, criaria uma comunidade do tipo "Kafka fumava maconha", dada a esquizofrenia de seus escritos. Só li A metamorfose, aquele em que o cara acorda transformado em um inseto gigante (todo mundo fala barata pela descrição, mas no livro só é falado inseto). É um dos livros mais perturbadores que já li, comecei depois do almoço e só consegui largar no final. Sente-se uma crescente sensação de incômodo, a começar pelo primeiro parágrafo:

"Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a ponto de escorregar.
Comparadas com o resto do corpo, as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, agitavam-se desesperadamente diante de seus olhos."

Bonito isso, principalmente depois do almoço.

Você deve estar se perguntando "ele não ia falar do filme?" e eu respondo não enche. A questão é que tanto o filme quanto o livro têm um ponto que é comum a tudo que conheço de Kafka: um personagem central perturbado em uma situação inusitada, cercado por um mundo que pensa compreender, até que é surpreendido. Pensando nisso, é fácil perceber porque Kafka é atual como se escrevesse nos dias de hoje. Vivemos num mundo kafkiano, em que a Cicarelli comunica, entre aspas, a imprensa, que estará em uma praia da costa espanhola com o namorado e depois processa os meios de comunicação que divulgaram seu vídeo estilo Canal 80.

É o mesmo mundo que pode vir á cobrar pedágio dentro das cidades. Imagina você indo na casa de namorada e pagando pedágio, com sorte só na ida.

Kafka certamente ficaria perdido nos dias de hoje e seus livros pareceriam págios da vida real. Não seria um mundo kafkiano, seria um Kafka mundano.

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Jesus Cristo é o Senhor?

Decidi que não vou escrever sobre o horário político na tv, acho que todas as piadas já foram feitas e, em última análise, não dá para concorrer com profissionais como os próprios candidatos.

Mas nada me impede de escrever sobre religião, que sempre gera uma boa polêmica, além de xingamentos. A "bancada evangélica" cresce a cada dia e todo mundo quer agradar os crentes pensando nos votos (eu sei que "crente" não é politicamente correto).

Se isso por um lado é ruim, por outro é pior ainda. Questões importantes são negligenciadas para não ofender esta religião ou aquela. Enquanto isso, o mulherio segue morrendo em clínicas de aborto clandestinas. Se uma mulher quer fazer um aborto, o problema é apenas dela, de mais ninguém, e ela deve ter acesso a um serviço profissional e higiênico.

O mesmo acontece em relação à união estável, a coisa não anda por influência da religião. Se duas pessoas do mesmo sexo viveram a vida toda juntas, nada mais justo que um(a) seja herdeiro(a) do outro(a). Não, eu não sou gay. Mas tem que agradar o eleitorado que, diga-se de passagem, não prima pela inteligência. Ou você acha inteligente alguém não cortar o cabelo por causa da bíblia? Para não falar nos conceitos de moda, aquele saião com a perna cabeluda aparecendo.

E, by the way, é pecado tomar banho? Da última vez que andei de metrô, tinha uma mulher com um daqueles penteados tipo coque, baixinha, e o fedorão era grande (eu estava em pé e a cabeça dela na altura do meu peito). Os homens pelo menos usam aquele corte de cabelo de 1,99, que disfarça melhor, só não dá para agüentar o terno barato.

Não vou nem entrar na questão financeira, o que dizer de alguém que dá 10% do (geralmente muito pouco) que ganha para a igreja, porque, segundo assisti num desses programas de exorcismo da madrugada, "quem não dá a Deus, dá ao Diabo"? E la nave vá, todos os políticos que aí estão só ligam para os votos, não interessa o que você ou eu pensamos. Só nos resta esperar que a igreja católica promova uma segunda inquisição. Alguém aí tem fósforos?

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