Hoje ficou muito claro para mim que há duas Internets no Brasil, que não se conhecem e não se falam.
Dando uma passada pelo site do Garoto da Capricho
, pude testemunhar o encontro desses dois mundos.
Explico:
A primeira Internet é aquela que vem desde o surgimento da rede no Brasil, nos idos de 1995, dominada por portais que reproduzem diariamente as mesmas notícias, só mudando o visual. Se você desativar as imagens no navegador, provavelmente não conseguirá diferenciar um do outro.
Nessa Internet, abrigaram-se vários grupos que não tinham a menor idéia de onde estavam, fazendo jornalismo impresso sem papel. Acostumados a ter patrão, chegaram até a fechar um site com 3 milhões de pageviews mensais, alegando que não dava para continuar sem patrocínio. Algo como um cara que tem 1 milhão de dólares e vive na favela, porque não sabe o que fazer com o dinheiro.
Essa Internet anacrônica serve apenas de trampolim para outros veículos de comunicação, seus “criadores de conteúdo” nada mais são do que empregados, que precisam receber ordens ou encomendas, caso contrário ficam perdidos.
Nessa rede, feed é uma novidade excêntrica que ninguém quer conhecer, blogs são diários virtuais e comentários são extremamente perigosos, pois podem permitir que as pessoas contradigam o que foi escrito.
Na segunda Internet, estão os empreendedores, pessoas que acreditam ser possível criar conteúdo original, ter leitores para esse conteúdo e ainda ganhar dinheiro o suficiente para viver disso. Seus “portais” são blogs que não se encaixam na definição de diário virtual, empresas de um homem só. E comentários são bem-vindos, favoráveis ou não, já que há inteligência suficiente no meio para travar uma discussão.
Essa rede assusta a primeira. Posso até imaginar as garotas que dizem ni pensando “o que esse pessoal pensa que é? Eles não escrevem para a Superinteressante, não estão no IG e nem tiveram um blog exclusivo para assinantes, lido por 10% de um centésimo dos assinantes do UOL, como nós!”
Respondendo a pergunta do fórum que diz ni, ganhamos dinheiro com criatividade e inteligência, mas isso vocês não aprendem na faculdade de jornalismo, sorry.
| Tweet | Compartilhar |




Deixe eles pensando assim, sobra mais espaço para nós. Enquanto, nós os interessados evoluimos, eles pensam que somos um grupinho que não tem nada a fazer e ficam bricando de blogs, quando a verdade é totalmente contrária a concepção deles.
Prefiro que eles fiquem lá dizendo ni, e eu fico vendo meu Adsense engordando dia a dia.
Prefiro fazer parte da segunda internet, enquanto eles ficam lá no Orkut disputando para ver quem tem mais scraps. Aff!
Quanto ao NoMinimo. Muita falta de visão. Perderam um site com grande potencial, por não arriscarem.
É incrível como hoje, 12 anos depois da abertura comercial da internet no Brasil, ainda coexistam dois universos completamente antagônicos na internet: os sites que seguem a lógica da mídia de massa (que, aplicada aos blogs, simplesmente não dá certo) e a percepção de que um meio diferente requer toda uma abordagem diferenciada. Os que inovam saem ganhando
clap³
Parabéns pelo artigo Noronha, muito bom, concordo plenamente com você. Infelizmente existem dois tipos de internet no Brasil, mas não vamos pensra na parte triste da história, o que vale mesmo, é que somos da minoria, porém inteligente o suficiente pra saber o caminho correto, idôneo, criativo e único da coisa!
Putamerda, meu comentário ficou extenso demais. Vou fazer um post e mando em forma de trackback.
Eu, heim. Não quero ver você bravo comigo, Noronha.
Boa Noronha, mas não ensina muito pra elas… deixa buscarem na enciclopédia Barsa.
Legal também é a última linha da imagem que você colou no texto, com a musiquinha da xuxa.
Meu caro Noronha, show de bola seu texto. Gostei mesmo da visão sobre o NoMínimo, com este fato você apóia outro do seu texto: que não ensinam a ganhar dinheiro na faculdade de jornalismo!
Acho que a galera que comentou acima já disse tudo. Só gostaria de dizer que 99% dos meus amigos não conhecem o filme dos qual as garotas retiraram o nome do blog, deixando o trocadilho meio sem graça. Será que estou ficando velho???
E que venha a internet 3.0!