O jornalismo atingiu um nível que ultrapassa a barreira do ridículo. Alguém ainda aguenta ler que “fulano teria feito algo”, “sicrano supostamente teria dito tal coisa”?
Ninguém mais faz ou diz nada, tudo teria sido dito, teria sido feito, supõe-se que aconteceu…
O que alguns chamam de “responsabilidade jurídica” eu chamo de reinado do eufemismo.
Faltam cojones ou todos estão atolados até a cintura em supostas trocas de favores?
Acontecesse hoje o governo Collor, tenho minhas dúvidas se não teria ido até o fim, mesmo com todas as evidências da sujeira que não conseguia mais se esconder embaixo do tapete.
Se Nixon fosse brasileiro, provavelmente teríamos ruas com seu nome.
Falando em Nixon, um filme retrata muito bem a diferença que existe (existia?) entre o jornalismo norte-americano e o brasileiro.
Dois repórteres do Washington Post, Robert Woodward e Carl Bernstein, dotados de faro e bons informantes, foram talvez os maiores responsáveis pela renúncia de Richard Nixon, o primeiro e até hoje único presidente estadunidense à renunciar.
Descontando o romance e heroísmo comuns à qualquer filme, Todos os Homens do Presidente é uma aula de como deveria ser desenvolvida a profissão de jornalista.
Aqui, dizer que é uma piada é ser otimista. Todos baixam a cabeça e escrevem o que lhes é dito para. Jornalismo investigativo? Não, obrigado, escreve um histórico do Carnaval, desde Moisés até os dias de hoje.
Quando eu vejo alguém debatendo a tal relevância dos blogs X jornalismo tradicional, me dá vontade de rir. Como algo pode ser relevante se qualquer ameaça de processo, por mais infundada que seja e vinda muitas vezes de qualquer zé-ruela que copiou algum trecho da Wikipedia, é levada à sério?
Blogs e jornais, online ou não, não vão mudar a realidade de que vivemos em um País de pessoas covardes e apáticas, que só se preocupam com a merreca que cai na conta no final do mês.
Triste. E mais triste é não poder ter escolhido nascer em outro lugar.