O Que Aconteceu com a Publicidade Brasileira?

Se você acompanha os principais blogs sobre publicidade feitos no Brasil, deve ter percebido que a imensa maioria dos artigos fala sobre publicidade feita no exterior.

O que se fala sobre a publicidade local se resume, na maioria das vezes, a artigos pagos para divulgar campanhas de gosto muitas vezes duvidoso ou elogiar o trabalho de amigos.

O merchandising feito no Brasil é um capítulo a parte. Se você assiste televisão já viu o nível de vergonha alheia.

Anúncios Antigos

Gente vestida de esponja, casais parando no caixa eletrônico sem falar nada para permitir que o nome do banco ganhe destaque absoluto. Sutileza? Não obrigado, já comemos.

Campanhas Voltadas para a Internet são um Capítulo à Parte

Artigos patrocinados tentando vender automóveis em blogs cuja maioria do público mal largou as fraldas; contatos catastróficos com donos de sites, propostas de parceria que só merecem um palavrão como resposta… enfim.

Comentei com uma amiga do meio por que cargas d’água havia tanta gente incompetente lidando com a publicidade online. A resposta?

- Contrata-se qualquer um que aceite trabalhar ganhando pouco. Reúne-se todos em uma sala falando bobagem (não vou dizer falando merda porque esse é um blog de respeito) e escolhe-se a bobagem menos pior no final. Quem tem boas ideias não fala nada por medo de ir contra as diretrizes da agência, e tudo segue sempre do mesmo jeito.

A Internet se populariza a passos largos no Brasil, consequência do aumento do poder aquisitivo da população em conjunto com a queda de preços dos computadores e do acesso à banda larga, prova disso é a queda na audiência da televisão e o processo de extinção em que se encontram as lan houses.

Não muito tempo atrás se falava da qualidade da propaganda feita no Brasil. Afinal, o que houve?

Hein?

Mudou a Publicidade ou Mudou o Público?

A publicidade tinha mesmo qualidade ou era fácil copiar o que era feito no exterior sem ser pego, já que não havia a facilidade de ver o que é feito mundo afora como hoje?

Uma coisa é certa: vemos um modelo falido dando seus últimos suspiros e sem saber para onde olhar. Sabe-se que é preciso mudar mas não se sabe como.

Recentemente me tornei viciado em Mad Men, um seriado exibido pela HBO que retrata o mundo da publicidade norte-americana nos anos 60.

Além de ser um drama de primeira, é uma aula prática de como inserir publicidade no conteúdo sem parecer artificial e sem forçar a barra.

O cigarro foi praticamente banido da televisão americana, mas nos anos 60 não era assim, as pessoas fumavam, certo? Nada mais natural então do que o pessoal da agência discutir uma campanha publicitária do Lucky Strike, não é mesmo?

Se você acompanha o seriado, preste atenção como 99% das marcas mencionadas existem até hoje. Coincidência?

O modelo é a prova de falhas. Em uma época onde as pessoas buscam conteúdo e baixam impiedosamente tudo que querem assistir, por mais que se brade aos quatro ventos que pirataria é crime, nada melhor do que ter os comerciais como parte desse conteúdo.

Quantas vezes você não teve vontade de comer algum tipo de chocolate depois de ver um personagem abrir displicentemente uma embalagem enquanto a história se desenrola? Ele não precisou parar tudo que estava fazendo para que a câmera desse um close no logotipo.

Publicidade Vendedora

Subestimar a inteligência do público é tão grave quanto subestimar sua estupidez. Quem tem um blog sabe muito bem disso.

O público desse site pertence em sua maioria às classes A e B e meu faturamento vem principalmente de publicidade passiva. Esse anúncio que você vê no final do artigo é responsável por quase 40% do faturamento mensal.

Não é um anúncio contextualizado, mas anuncia produtos que meus leitores podem e querem comprar, simples assim. Nem sempre o melhor é o mais complicado.

Grandes ideias vêm depois de muita transpiração, e a publicidade brasileira precisa ver isso, antes que seja engolida pelo mundo que ela deixou de compreender. Foi-se o tempo em que bastava vestir a roupa certa e gastar 200 reais em um corte de cabelo, é hora de trabalhar de verdade.

Escrito por

j. noronha criou esse site em 2006, além de outros menos memoráveis.

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