O Naufrágio dos Programas de Afiliados no Brasil

A Internet nunca cresceu tanto no Brasil como nos últimos tempos, seja no número de pessoas com acesso, seja no número de sites com tráfego respeitável.

Ao mesmo tempo em que esse mercado se aquece a passos largos, vimos uma retração por parte dos programas de afiliados. Retração, nesse caso, é um eufemismo.

Naufrágio

Os programas de afiliados que atuam no Brasil seguem um movimento em cascata, no sentido de pagar cada vez menos aos seus editores, em uma ação que claramente mostra que não precisam mais dos mesmos. Senão vejamos:

Submarino

Reduziu a validade do cookie para 3 horas, renováveis por mais 3 caso o visitante retorne ao site nesse período.

Cookie é um arquivo que fica guardado no navegador do visitante, indicando que ele visitou determinado site a partir do seu. Quanto maior a validade, maior a chance de você faturar a comissão quando, e se, ele decidir comprar. Se o cookie tem a validade pequena, é provável que quando a compra for efetivada você não fature nada, mesmo tendo sido a origem da venda.

Somado à isso, receber o pagamento é uma tarefa que requer paciência, é quase uma loteria acertar quantos meses depois do fechamento do mês o dinheiro será depositado.

Mercado Livre

O Mercado Livre é peculiar, para dizer o mínimo. Sempre justifica suas ações com um “pensando no benefício dos afiliados”.

Ato 1:

Deixou de depositar automaticamente os pagamentos, passando a enviá-los para o Mercado Pago (simulacro de Paypal ou Pague Seguro), “porque pensamos que facilita a vida dos afiliados”.

Se demorar até 4 dias para transferir o dinheiro após a solicitação é facilitar, facilitou horrores.

Ato 2:

O Mercado Livre paga uma taxa sempre que alguém se cadastra no site através de seu link de afiliado e executa uma ação de compra ou venda. O valor sempre variou conforme o número de cadastros, e começava em R$7,00 por novo usuário.

Recentemente, o valor foi reduzido para R$5,00 até 49 cadastros, sendo necessários 50 cadastros para receber R$7,00.

As comissões foram aumentadas em uma pequena porcentagem, para “compensar”.

O motivo? “Agora o Mercado Livre otimizou as vendas, você vende muito mais”.

Ahã, senta lá Cláudia.

Ato 3:

O meu amigo Micox criou um sistema matador, que criava links para o Mercado Livre de forma rápida e automática no texto, aumentando bastante as conversões.

Ele firmou uma parceria com o Mercado Livre, ganhando uma comissão que não interferia no faturamento dos afiliados.

Todos ganhavam, beleza não?

O Mercado Livre baniu o sistema do Micox, por razões obscuras.

Hotwords

O Hotwords linka palavras automaticamente em seus textos e você ganha por clique.

Houve um tempo em que era possível faturar um valor razoável. Depois, com o crescimento do programa, foi aumentando o número de palavras “banidas” do sistema.

É comum você ver páginas e mais páginas sem um único link, ao mesmo tempo em que sites repletos de pirataria usam e abusam do sistema, sem espécie alguma de punição. Vai entender.

Buscapé / Lomadee

O Buscapé é um site de comparação de preços e por um tempo gerou um bom lucro.

Um belo dia, decidiram que os links para o sistema, indexados pelo Google, estavam atrapalhando os negócios, e baniram a prática.

Veja bem:

O usuário que busca um produto no Google é um cliente em potencial. Quando ele clica em um link, é um clique de qualidade.

Não para o Buscapé, que precisava pagar por esses cliques.

Novamente vale a regra do ganhar mais sem aumentar o investimento.

O Buscapé agregou outras lojas virtuais, no programa Lomadee. Tudo muito lindo, não fosse o fato da conversão ser baixa, não haver maneira de monitorar o número de cliques e, toque final, toda hora aparecem banners institucionais do Buscapé, mesmo que você não tenha aderido ao programa Buscapé.

JáCotei

Permitiu por muito tempo os links indexados. Fez uma tentativa de bani-los, voltou atrás…

Resumo da ópera?

Hoje não rende nada, a maioria dos cliques gira em torno de 1 a 2 centavos.

Afilio / Fnac

Coloco a Fnac junto a Afilio porque é o único programa que rendia na plataforma. O cookie com validade de um mês garantia ótimas vendas desde o primeiro mês de uso.

Isso durou por meio ano.

Hoje o cookie tem validade de 7 dias e as vendas caíram em 75%.

Com isso você tem uma ideia da situação, uma vez que listei os 6 maiores e mais conhecidos programas de afiliados em atuação no Brasil.

Há outros, mas todos giram em torno de vender conteúdo para celular, conteúdo questionável e beirando o abuso, já que baseiam-se todos na premissa do grátis, grátis esse que só vem depois do incauto cliente gastar quase R$20,00.

Enfim, os programas de afiliados brasileiros alienam o editor no momento em que começam a faturar grande. Essa tendência é explícita e não vê quem não quer.

A solução?

Domine outro idioma e prepare-se para enfrentar o mercado internacional. Gira dinheiro de gente grande nesse mercado.

Se o dinheiro é grande, a concorrência é enorme. Prepare-se para investir, não existe ganhar dinheiro com um domínio e boa-vontade, você vai ter que desembolsar um valor razoável antes de começar a ter retorno, isso é fato.

O tempo das crianças brincando de ganhar dinheiro acabou, a briga agora ficará reservada a quem tem bala na agulha.

Escrito por

j. noronha criou esse site em 2006, além de outros menos memoráveis.

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  • http://www.asaventurasdechicuta.blogspot.com Ricardo Chicuta

    Então vou aproveitar para clicar em um banner qualquer aqui no blog pra ver se vc. ganha um dinheirinho e para de reclamar. :)

  • http://www.mundovigarista.com Daniel

    Pois é, pensei que eu é que não tinha tido sorte com o submarino. Se eu contar que minha comissão de novembro de 2009 está retida até hoje,sendo que meu cadastro está impecável e todo o procedimento requerido (como enviar recibo assinado) foi feito corretamene, vocês acreditam?

  • http://www.castroinfonet.com Paulo Castro

    Eu usei o buscapé/Bondefaro por um ano, no inicio tive algum ganho, depois percebi que não era mais registrado nenhum clique do meu blog, retirei o programa que só estava ocupando espaço no meu blog. O Hotwords está mostrando palavras até de mais nos meus posts.

  • http://www.ferramentasblog.com/ Marcos Lemos (@hordones)

    Aos poucos os “mitos” do dinheiro fácil via internet vão caindo por terra.

    Essa é a primeira e mais corajosa análise sobre o que de fato têm feitos esses sistemas “afiliados” que denigrem a palavra parceria. A maioria quer mesmo é espalhar um banner e links fáceis para seus produtos e clientes. Já sofri na mão de alguns desses serviços, inclusive levando calotes “justificados”.

    Falto citar que algumas dessas empresas não têm nem mecanismos de atendimento aos afiliados. Não se acha um simples telefone para contato, como é o caso do Mercado Sócios (Mercado Livre). Infelizmente, ao que parece, o “jeitinho brasileiro” vem imperando.

    Parabéns pelo ótimo texto.

    • http://gentilsaraiva.com/ Gentil

      Concordo plenamente com relação ao ML: até os emails de contato foram bloqueados, e o Contato no site não funciona. Resumo: não tenho como receber minha comissão. Ação: retirei o ML de meus dois blogs principais!
      O interessante é que o Submarino me pagou em dia o que já ganhei lá, não tenho o que reclamar deles até agora.

  • Wilamis

    Post maravilhoso!
    Não tem o que dizer muito, essa é a cruel realidade dos programas de afiliados.
    Por isso que eu estou no terceiro ano do Inglês e pretendo usar isso como artifício para os programas de afiliados estrangeiros!
    Abraços!

  • http://ueba.com.br Gilberto “Knuttz” Soares Filho

    E não para por aí meus caros, a coisa tende a piorar MUITO mais, antes de melhorar.

    Algumas empresas estão se prontificando a comprar CPM/eCPM de R$ 0,20 para fazer volume de impressões e revender à preço de banana para terceiros, e pode ter certeza de que estas mesmas empresas já devem estar em conversações com estes mesmos sistemas de afiliados que estão apertando o nó.

  • http://www.noticiasautomotivas.com.br Eber

    Resumiu a realidade do mercado de afiliados. Eu sempre preferi esquemas que pagam por clique único, assim você ganha o seu já na hora.

    Adsense continua sendo muito bom, pelo menos pra mim. Junto com ele uso Hotwords e Afilio.

    Quer dizer, Afilio nem tanto, pois paga muito mal e quando a GM viu que eu estava ganhando bem com os banners deles, me excluíram sem dar explicação.

    Agora, no Afilio, só sobraram campanhas que pagam por venda de produto ou por cadastro, ou seja, você fica mandando cliques pra ele o mês todo pra no final não receber nada.

    Vou continuar apenas com Adsense e Hotwords, mesmo com o Hotwords hoje rendendo metade do que um ano atrás.

    E a cada mês que passa uma porcentagem maior dos meus rendimentos passam a ser de vendas diretas de banners, aonde dá pra lucrar um pouco.

  • http://twitter.com/Teilor Teilor

    Até hoje o único programa que já me rendeu algum dinheiro foi o Adsense, de todos os outros que testei e insisti, nunca atingi o valor mínimo para receber.

  • http://nagueva.com/ Guilherme Nagüeva

    Alie todos esses problemas com a falta de controle e confiabilidade dos programas.

    Por exemplo: com o Google Adsense, x visitas sempre vão gerar cerca de x reias para o editor (obviamente esse x varia de acordo com cada site).

    Agora para qualquer outro sistema, os ganhos oscilam drasticamente mesmo você tendo as visitas estabilizadas num único patamar. Um exemplo? HotWords passa um mês gerando cerca de 20 reais/dia num post com 4 mil visitas/dia. De repente, do dia pra noite, esse valor cai. E você passa a ganhar menos de um real por dia.

    Mais um exemplo para o Hotwords? Você acompanhar um site com 10 mil visitas/dia render 30 reais/dia enquanto outro site com 160 mil visitas diárias rende apenas 2 reais. Tem algo errado, não?

    E em todos os casos que acompanhei, se tratava de sites com conteúdo qualificado para o sistema Hotwords.

    Percebe-se claramente como editores de sites são EXPLORADOS pelos programas de afiliados brasileiros. Uma lástima.

  • Ivan Marçal

    Senhores, dinheiro fácil nunca existiu, nem na internet ou qualquer outro lugar.
    Já testamos os programas citados neste post e algumas vezes ganhamos e outras nunca. Os mais decepcionantes foram: submarino, afilio e hotwords. Em especial o submarino tem uma forma de não pagar o afiliado que ninguem entende e um e-mail de reclamações para estes afiliados que nunca é respondido. Assim temos lá, parados 350,00 do ano passado que nunca é liberado e não temos mais a quem recorrer. Já o Hotwords paga em dia, mas diminuiu consideravelmente a possibilidade de ganharmos mais. O Afilio atacou o ponto que muitos de nós não entendemos. Os banners de um determinado produto não pode ficar no ar por muito tempo que ele sai do ar (tem uma número específico de vezes a ser exibido)o que causa um buraco na página de seu site. Assim se meu intuito é vender produtos da Fnac, com o banner torna-se impossível. enquando o correto seria fazer com que os anunciantes oferecessem mais pela exibição de seu produto e não a coação desta publicidade por que esta esteja sendo exibida por várias vezes. Já ganhamos dinheiro com eles que pagaram corretamente, mas demorou.
    Para finalizar a LOMADEE é ridícula, nunca conseguimos ganhar nada como este programa. Não tem como escolher o que anunciar,desta forma os anuncios em seu site ou blog podem não ser para o público que você tem, o que causa pouquissimos cliques nos anúncios.
    Sucesso a todos e vamos em busca do dimdim que com certeza não é fácil.

  • Mangaká

    Isso só prova o óbvio: Pra quase tudo que envolve internet, o Brasil tá sempre atrasado! Belo post, Noronha!

  • http://www.blogadao.com/polemico-caso-lata-velha-dimension-custons-manos-da-oficina/ Alexandre Rauta

    Sempre parti da premissa que se não me querem como parceiro, utilizo outro que me quer. Só há duas palavras para descrever tal situação: Descaso e desespeito.

    Os afiliados precisam se valorizar, para começar parando de utilizar tais empresas como parceiro. PRONTO.

    Ótimo post J. Noronha, como sugestão que tal tirar o AFILIO/FNAC do seu blog?

    Que tal se todos tirassem os anúncios dos parceiros (se é que podemos chamar assim) que trabalham desta forma?

    abraço

    • http://www.ofimdavarzea.com j. noronha

      Vou deixar o mês terminar para decidir o que fazer, até porque não há muitas opções para substituir, ao menos por enquanto.

  • http://www.entretendo.com Miguel Mascarenhas

    Muito bom o texto, e o pior é que não temos perspectivas de melhoras.

  • http://naoacredito.blog.br almy

    é tenso mesmo
    mas de todos o que da mais raiva eh o submarino cara
    por q nem email eles respondem…é tipo:to cagando e andando pra voces…

    eu sinceramente
    http://naoacredito.blog.br

  • neide

    Mas há também o outro lado.

    Muitos blogs são criados com o objetivo declarado de atrair visitantes (“escreva sobre os hypes”) e induzi-los ao clique (“pára-quedistas clicam em qualquer coisa”).
    Daí os visitante clicam para o anunciante mas não compram nada.

    É evidente que os anunciantes não vão continuar pagando por esses cliques; em decorrência, os intermediários (seja o buscape, o mercado livre, o afilio ou qualquer outro) terão que reduzir o pagamento ou sair do negócio.

    O Google resolveu esse problema com o smart pricing: o pagamento do publisher é proporcional ao retorno para o anunciante.
    O cálculo de smart pricing, contudo, requer recursos de que os programas afiliados brasileiros não dispõem; por isso, como o pagamento é fixo, os bons publishers tem que trabalhar para compensar os pagamentos aos maus publishers.

    A solução é criar um site que atraia tráfego que se CONVERTA em lucros para os anunciantes.
    Os anunciantes não tem nada contra seus afiliados.
    Os anunciantes apenas não gostam de perder dinheiro com os afiliados.

    • http://www.ofimdavarzea.com j. noronha

      Seu comentário não faz o menor sentido, informe-se, programas que pagam por comissão não pagam nada por clique, caso de 5 dos 6 programas que citei.

      • neide

        Exatamente: se você acha que tem o direito de ganhar um valor fixo por clique, boa sorte procurando um anunciante que tenha espírito beneficente.

        Se você tiver um site que gere tráfego que converta, você não terá problemas para encontrar anunciantes, nem se queixará de receber por comissão.

        Dê uma olhada, por exemplo, nesse site (com o qual eu não tenho nenhuma relação): link removido.

        Eu não vejo os webmasters daquele site reclamando nos blogs.

        Você é quem está reclamando, você é quem deveria se informar.

        Abraço,

        • http://www.ofimdavarzea.com j. noronha

          Onde no texto eu falei em valor fixo? Já ouviu falar em interpretação de texto?

          • neide

            Você tem toda a razão.
            Não sei interpretar textos.
            Realmente, o futuro é negro para todos nós.

  • http://lorenti.org gilson

    e ai Noronha, faz tempo que não faço um comentário aqui, mas sempre acompanho os textos. Testei todos os programas de afiliados que você citou e atualmente estou apenas com o adsense. O Submarino, de vez em quando, coloco novamente os baners, mas eles estão com a irritante mania de deixar o site mais lento e semana passada estavam travando o carregamento do site. Ou seja, agora estão de castigo. Embora o Submarino seja duro na queda para receber, eu gosto de usar ele como padrão para os outros. Mercado Livre e Buscapé foram eliminados sem dó por que não confio em suas estatísticas. O baner do buscapé é bonito, colorido e fica piscando e passa-se uma semana sem ter um clique válido. O que não acontece com o adsense que fica na média de 60 por dia (o blog anda meio parado, mas estou voltando a postar regularmente). O Mercado livre também não registra vendas, enquanto o Submarino, que é mais casca grossa, chega a vender R$ 2.000,00 por mês (embora as comissões sejam baixas). Então ficamos sem opção para tentar o processo de monetização. A saída, realmente, é apostar no mercado externo, mas ai o cara realmente tem que ter munição para gastar.

  • http://cilenebonfim.com/ cilene

    Eu continuo tentando o submarino por teimosia mesmo, nunca foi bom para mim, não tem respeito pelos blogueiros, os outros com excussão do Hotwords nunca me renderam nada. Não uso mais. Tem um desses ais citados por vc, não lembro se foi o Afilio, ou se foi outro que ganhei uns centavos, ai eles pagaram menos do que os centavos. Cortei na hora. O Adsense continua sendo minha única fonte de renda, mas a coisa não é fácil também. Sem o Adsense não paga nem as despesas. Eu não consigo acreditar em bloqueiros que dizem ganhar muito com o submarino. Sem falar que no meu blog o Submarino, hotwords provocam um problema de DNS lookups. Eu queria vender meus blogs, mas no mercado brasileiro nem isso é possível .

  • Adriano Cunha

    Eu acredito que a solução seria uma diminuição drástica de blogs com esses afiliados. Eu já deixei eles a algum tempo e corrir atrás de empresas que quisessem fazer propaganda em meu blog e a resposta foi positiva. Foi dificil, mas depois de muito trabalho, obtive boas respostas, porque não tentar ir diretamente a empresa?

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  • http://www.webprincipiante.com/ Rafael Avelino

    Do Submarino não sabia que era só 3 dias(fui aprovado a alguns dias),o mercado livre é triste mesmo!,até eu que não tenho um super trafego faturava bem com os cadastros e usava o sistema do Micox,fiquei chateado por eles tirarem,a impressão é que trabalham robôs lá sem sentimento e simplesmente cancelam as contas de seus afiliados por nada mesmo! temnos o exemplo do Marcos Lemos…
    O Hotwords parece brincadeira de mau gosto,sou mais o Micox(ou era,já que não tem mais!rsrs).
    O afilio estou testando.
    É como você diz,tem que ser fluente em outra língua se quiser ter sucesso na web.

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