Não acompanhei toda essa novela do OLPC, o popular “Laptop de 100 dólares”. Podem me chamar de alienado, ou mais apropriadamente descrente, mas não tenho a mesma visão otimista do Sérgio.
Falo isso do alto de mais de 10 anos de sala-de-aula, coincidentemente na disciplina de Física também.
O que me desanima com todo esse hype é que, mais uma vez, ninguém fala em salário de professor. Estou pouco me lixando se o tal Laptop custa 100 ou 1000 dólares, se é em preto-e-branco ou em cores, por mim, poderiam investir toda essa grana em Laptops da Xuxa que não faria a mínima diferença.
A educação no Brasil não passa pelo mais básico que existe, material humano. Fico imaginando um daqueles professores do nordeste, que a Globo já mostrou milhares de vezes, trabalhando por uma rapadura e um tapinha nas costas, mostrando o lépitopi para o Raimundinho, que não conhece nem comida sólida.
Peguem essa grana investida em projetos para inglês ver e façam uma experiência diferente: paguem aos professores um salário decente. Dizem que dinheiro faz maravilhas e nem precisa Leite Moça.
Outro dia vi um anúncio pedindo médicos para trabalhar em alguma biboca nos cafundós do sertão. Salário? Mais de cinco mil reais por mês, senão eles não querem ir. Outro dia ainda, os residentes de medicina aqui de Porto Alegre deflagraram uma greve porque estavam ganhando muito pouco, apenas 1700 por mês. Um deles disse em entrevista que não é possível sobreviver com esse valor.
Um palhaço explorado que acha que está fazendo milagres quando na verdade ninguém dá a mínima professor necessita trabalhar 120 horas semanais para ganhar isso e ainda vejo alguns defendendo que “dinheiro não é tudo”.
Se eu acredito que algo vai mudar? Acredito tanto que larguei o barco e corro a tiros quem me falar em lecionar. Um colega meu costumava dizer que “vender laranjas na esquina dá mais grana que lecionar”. Dava, dá e por uns 1000 séculos continuará dando. E isso vale também para churros e carrocinha de cachorro-quente.
Me falem em OLPC quando um professor for tão valorizado quanto um médico. Até lá, fiquem brincando com o Laptop da Xuxa… mas não me chamem.
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Adorei a crítica, Noronha. Eu ia dizer “digna de um colunista da Veja” mas alguns colunistas da Veja são ridículos, então, digno de um problogger brasileiro.
Bem, a uns anos atrás eu conheci a realidade do Tocantins. Além de ganhar pouco, 70% dos professores da rede de ensino pública não tinham completado o Ensino Superior. Isso cria um ciclo interessante. Quando instituições de ensino particulares ou superiores da região procuram profissionais de ensino geralmente preferem alguém do Sul e Sudeste. Os salários são muito bons, mas está vedado para moradores do local por conta do péssimo ensino ministrado nas redes públicas. Tenho uns conhecidos que ministram aulas na Federal do Tocantins e os alunos que passam no vestibular apresentam todas as deficiências de aprendizagem que você possa imaginar. O interessante é que no Nordeste deve ser bem pior.
J Noronha eu sumi mas voltei rs
Estava sem blog mas enfim consegui um novo lar..rs
Qdo puder apareça
http://romanticakall.blogspot.com/
Bjossss
o caption da foto ficou ótimo hahaha
quanto ao laptop, veja o que o secretário de educação da Índia falou:
“Precisamos de salas de aula e professores mais urgentemente do que ferramentas fantasiosas”, escreveu Banerjee.
fonte: http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2006/07/28/idgnoticia.2006-07-28.3345666678/IDGNoticia_view
Nem vou entrar no mérito da questão, mas com certeza, gastamos (o governo) dinheiro em coisas nem tão necessárias assim e esquecemos do que realmente importa: Educação, segurança, saúde…
Concordo em partes contigo. Não dá pra generalizar os professores como um todo.
De qualquer maneira o Brasil quer enfiar tecnologia a quem nem sequer sabe o alfabeto. Inclusão digital? Depois da social a gente conversa.
Leandrow,
Não generalizo os professores, mas o tratamento dado a eles.
Eh uma vergonha mesmo. Trabalham por 600 reais e deputados por 15 mil. Meu Deus! Este eh o Brasil, o país das desigualdades.
E o governo gasta com laptop de 100 dolares, envio de homem ao espaço… sem comentários.
Maysa
Um tempo atrás eu li uma análise independente (se isso é possível) do laptop de $100. Parece que o equipamento não é tão ruim assim. Mas claro, concordo que ficar discutindo distribuir esses microcomputadores para professores completamente desmotivados e crianças que nem sabem pilotar um lápis é piada. Está na cara que o interesse principal aqui é lucrar por debaixo dos panos, o prejuízo lançado à conta “bolso do contribuinte”.
Realmente salário de professor é uma vergonha!! Aliás, o ensino no Brasil está uma vergonha pq o Estado não dá apoio pra essa area. Uma vergonha!
Beijos