Movimento Blog Voluntário

Acompanhei toda essa história do Movimento Blog Voluntário mantendo um saudável, para mim, distanciamento crítico.
Hoje fui lá dar uma olhada nas estatísticas:
470 inscritos
661 posts no Technorati
425 posts no Google Blog Search
63.305 leitores de RSS (número aproximado)
124 followers no Twitter
Belos números, lindamente vazios. Por que vazios?
Quem escreve em blogs, acompanha Technorati, RSS, Twitter e tais não precisa de ninguém lhe ensinando o bê-a-bá.
Para um movimento desses atingir o usuário tosco de Internet, é preciso que o mesmo leia o que foi publicado.
E é preciso também que saibam ao menos o básico do básico.
Estou sendo radical?
Respondo com uma história verídica contada pela minha namorada:
Ela e sua turma, de aproximadamente 30 pessoas, estavam no laboratório da faculdade, elaborando um trabalho.
Dessas 30 pessoas, ela era a única que:
- sabia ser possível digitar na barra de endereços do navegador;
- sabia criar uma pasta;
- sabia salvar um documento nessa pasta.
Eu não estou falando de uma lan house, estou falando de pessoas que fazem parte de uma minoria, que estuda em uma universidade particular que cobra os olhos da cara todos os meses.
Estou falando de pessoas que estudaram, na sua maioria, em boas escolas particulares.
Se essas pessoas não foram atingidas pelo movimento, quem foi?
Você que participou do movimento, por favor responda:
Quantos novos leitores deixaram comentários sem uma URL atrelada, além dos habituais?
Quantas pessoas você conhece que comentaram sobre o assunto, blogueiros excluídos?
A discussão está aberta e os comentários também.
















13 05 2008 às 2:47 am
Noronha!
Você está certo. Mas é possível sim, alguma inclusão digital via blogues, principalmente com o que se sabe no meio, como o blogueiro sabe como o usuário novo procura por coisas na internet.
Na verdade, a valia de iniciativas dessas entre blogues, sempre têm alguma utilidade, mesmo que seja só para o blogueiro.
Sempre têm. Nada é de todo perdido, assim como não existe algo que alcance de imediato um sucesso projetado.
Podes crê!
13 05 2008 às 2:47 pm
Se o público alvo vai ser atingido não sei. Mas alguém com certeza vai. O Tio Google vai ajudar nisso. Então já é válido. Eu mesmo li uns posts de alguns blogs que me ajudaram em pequenas coisas que eu não sabia, mesmo que simples, descobri algumas importantes.
E essa sala da sua namorada, eim? Impressionante… o_O
13 05 2008 às 4:33 pm
Concordo contigo Noronha, o objetivo real não foi e nem será atingido assim… mas concordo com o Jovas: gerou conteúdo e algum desinformado, hora ou outra vai chegar ao conteúdo googleando.
E sobre a ignorância frente a um computador e algo que as vezes a gente não tem noção, ontem voltando da universidade uma guria veio me perguntar como funcionava a internet sem fio, que as vezes dava para conectar “sem ter internet” (redes wireless sem senha, ela pensou que era algo tipo uma ‘internet do mundo’).
Pediu também se era mais fácil pegar vírus com internet sem fio…
13 05 2008 às 8:29 pm
Tive buscas no paizinho Google. Pedi retro-alimentação ao pessoal do moviemnto e nada. Publiquei nos três dias posts sobre como usar o Blogger.
Pessoalmente, senti-me lograda. Tudo bem, é apanhando que a gente aprende a não apanhar mais.
14 05 2008 às 1:12 am
Noronha
Bacana o questionamento. Mas acho, no fundo da alma, que vc está errado. Primeiro porque, mesmo sem saber digitar, salvar e criar pasta, o povo sabe (sabe mesmo, a gente sabe) usar o Google.
Segundo: hoje, no Estadão li a notícia. A prefeitura vai implantar cursos e incentivos nos telecentros para incentivar o povão da perifa de sampa - que não sabe ler/escrever direito, mas usa computador quase direitinho - a fazer inscrição no Supletivo. Claro que a notinha, no pé da página não está lá (ô M* de portal e navegação).
É pra gente pensar. Eu acho que todo movimento vale a pena. E este, graças, não tinha alma pequena.
14 05 2008 às 12:33 pm
Sem link? Nenhum. Que disseram não ter conhecimento sobre algum assunto abordado? 2. Levando-se em conta que meu blog não é muito comentado, é um número e tanto.
Mas também é vazio, porque a imensa maioria de quem chega ao meu blog não deixa comentários. Portanto, os textos podem ter sido úteis pra mais gente.
E há a cauda longa. “O futuro é de vocês”, ou nosso, como diria o Capitão Planeta.
15 05 2008 às 12:24 pm
Comentário tardio, eu sei.
Eu concordo contigo. Das estatísticas que tu botou no início do post, a mais inútil é 63.305 leitores de RSS (número aproximado).
E daí, caralho? Alguém que sabe assinar um feed precisa ler outro post ensinando isso? Ou alguma outra coisa de newbie qualquer?
Meu irmão também narra umas histórias de faculdade parecidas com a da tua namorada. Vou pedir para ele escrever sobre a adEvogada que não entendeu o nome do blog dele no nick do MSN. É de chorar.
16 05 2008 às 7:34 am
Ei Noronha, cuidado, os bons mocinhos(as) do lista blogosfera podem te atacar por este post
É, o Blog Voluntário não vale de nada do modo que foi feito, e nunca valerá se for feito do mesmo modo.
Foi quase como, blogueiros “inteligentes” falando para blogueiros “inteligentes” sobre como acabar com o analfabetismo digital, uma piada.
FALOW
17 05 2008 às 12:17 pm
Sei não, Noronha… Qdo comecei meu blog, metade do q descobri foi entrando no Google e procurando a informação (quase sempre achava a resposta no Interney…). Queira ou não, os próximos a tentarem montar blogs vão conseguir encontrar com mais facilidade ainda, não?
30 05 2008 às 2:18 pm
Concordo com você em parte.
Por isso mesmo, usei a oportunidade para dentro do tema do blog, ensinar as pessoas a usarem a Internet para fiscalizar políticos, manifestar-se, criar leis e gerir mobilizações populares.
Nesse aspecto, acho que mesmo o alfabetizado em informática pode aproveitar os textos.
Quanto ao resto, pode ser que os artigos que figurarão no google, com certeza, um dia sejam lidos por algum iniciante.
Acho que o movimento não se preocupou em aumentar e fomentar os leitores para o blog ou comentadores. O objetivo, em minha opinião, foi justamente deixar os artigos indexados para auxílio futuro de quem se interessasse.
Mais ou menos como uma mensagem na garrafa.
Um abraço.