E voltamos com a nossa programação normal.
Depois de quatro dias nas trevas, sujeito à barbárie das lan houses, hoje a Brasil Telecom resolveu o problema dos telefones, depois que uma horda de usuários ensandecidos cercou seu prédio com tochas e rastelos nas mãos. Sabe a cena clássica de filmes estilo Frankenstein? Pois é…

As idas ao inferno tiveram um lado pedagógico, pude observar in loco o comportamento do usuário típico das internéti. Não é algo bonito de se ver.
Ontem à tarde, estava eu respondendo a alguns emails, quando se senta na máquina ao lado um cara que, para dizer o mínimo, não tinha muita intimidade com a coisa.
Ele observa a tela, pensa, pensa mais um pouco (usuários de lan houses pensam muito)…
- Não tem Orkut? – Pergunta para o atendente.
- É só entrar no site.
Nesse momento ele balbucia algo como ichi humpf e começa a maior batalha de sua existência.
Ele enfia as duas mãos embaixo da mesa, tentando acessar o teclado naquela bandeja retrátil que todo mundo conhece e eu não sei o nome. Ao mesmo tempo, curva-se para a direita, tentando enxergar o que digita.
Segurando o riso e mostrando que ainda tenho algum traço humano no meu DNA, peço licença e puxo a bandeja com o teclado para fora.
- Assim fica mais fácil. – Digo.
- Valeu, não sabia como funcionava.
Para resumir a ópera, digamos que entre abrir o navegador e conseguir acessar o site, passaram-se uns bons 5 minutos. Ele clicava para visualizar o histórico, mas não tinha a habilidade necessária para selecionar o acefalo orkut.com (digitar é um conceito que não existe).
Deixo nosso Steve Jobs divertindo-se com o computador (o que mais não vão inventar?) e continuo com meus emails. Dali a um pouco, ele me pergunta:
- O Senhor sabe como se faz para jogar?
Ele aparentava ter a mesma idade que eu, mas depois que demonstrei tanto conhecimento (!), já era tratado como uma autoridade.
Era Counter Strike, ele tentava jogar off-line.
Para encurtar a conversa, disse que perguntasse ao atendente, já que eu não conhecia aquele jogo (que tenho em casa inclusive, junto com o Half Life). Definitivamente meus traços humanos já tinham sido usados o suficiente por um dia.
O atendente responde que não era possível usar bots, obviamente sabendo que aquilo significava tanto quanto um poema em sânscrito para nosso conectado colega.
Ele fuça mais um pouco e vai embora. Felizmente choveu o dia inteiro ontem, logo o paraíso miguxo estava quase vazio.
A experiência de conviver no seio (hum…) do povo foi interessante. Estou pensando em fazer um live blogging direto da lan house um dia desses. Pretendo sentar entre um emo e uma miguxa estilo ninja, daquelas que consegue digitar mais de 100 palavras usando apenas uma vogal.
Quem viver verá.