A Nospheratt escreveu um artigo deveras interessante, que eu chamaria de “o paradoxo Tostines”.
Assim como nunca saberemos se Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais, sempre haverá a discussão se hypes ajudam ou atrapalham a vida de um blog.
Eu costumo confiar mais no meu nariz do que em estatísticas, inclusive as desse blog, mas o Ricardo Cobra fez uso de fatos para refutar os eternos argumentos dos funbloggers contra os hypes.
Pausa para reflexão:
Funbloggers são uma espécie de blogueiros que têm hábitos curiosos:
Gostam de escrever apenas para quem tem QI acima de 180, usam referências sombrias e freqüentemente ininteligíveis. Seus artigos costumam ser tão herméticos que muitas vezes se faz necessária uma preparação prévia para visitá-los. Algo como 5 anos de estudos no MIT.
Funbloggers não gostam de anúncios em blogs, os raros representantes da espécie que utilizam alguma forma de monetização costumam colocar um anúncio no formato 125×125 no canto esquerdo do rodapé, de preferência anunciando um fórum de Python avançado em klingon.
Mas divago, voltemos ao foco.
O argumento mais usado contra os hypes, também conhecidos como assuntos da moda, é de que são um modelo não-sustentável, passível de punição pelo Google na hora de listar os resultados de busca. O incauto blogueiro que usa tais artifícios terá morto seu primogênito e perderá metade de sua colheita, sendo amaldiçoado até a décima geração.
Em verdade, vos digo:
O Google não está nem aí para os hypes, acredito até que, no fundo, os engenheiros de Mountain View nutrem uma certa antipatia pelos funbloggers e preferem mostrar resultados com alguma gostosa de biquini, mesmo que a busca seja por Cobol em Linux 6.0.
Falando sério, hypes existirão enquanto existir a Internet, curiosidade é uma característica comum a qualquer cultura. Existe em qualquer meio de comunicação e sempre existirá, aí estão as revistas de fofoca e os jornais sensacionalistas para provar.
Punir um site por falar sobre um assunto da moda é tão crível quanto puni-lo por falar sobre assuntos chatos, que interessam apenas a um décimo da população de Varginha que usa cachecóis verdes.
Acreditar que o Google tem algo contra assuntos da moda é um mito nutrido com uma certa inveja. O cara tem um blog que não se vende para o capitalismo selvagem mas bate cartão todos os dias, em troca de um salário geralmente abaixo do mínimo necessário para viver bem. Então descarrega sua frustração em um blog limpo dessas impurezas da vida mundana. Provavelmente ele não teria competência para viver desse blog, já que nem todos nascem com jogo de cintura. A diferença é que se eu não gosto desse tipo de blog, não leio, já eles adoram ler todos os blogs mercenários para depois escreverem longos tratados contra essa conspurcação da pureza do formato. Parece que nas horas vagas também procuram virgens de 40 anos.
Colocar um post falando sobre a última capa de uma revista qualquer que está gerando buzz ou sobre algum vídeo gravado em praias distantes trará um aumento passageiro de leitores e não afetará em nada o conteúdo costumeiro. Não é nem necessário deixar esses artigos no fluxo normal de publicações. Para isso existem plugins e páginas fixas no WordPress.
Dizer que paraquedistas nunca se tornarão leitores fiéis é uma generalização verdadeira até certo ponto. Costumamos medir o nível dos mesmos pelos comentários, mas não esqueça que uma minoria deixa comentários. Muitos passam, gostam e voltam, sem deixar rastros visíveis.
O mesmo cara que quer ver fotos da Ana Maria Braga pelada muitas vezes é um cara inteligente que também se interessa por uma variedade de assuntos, o fato de não comentar não significa que ele não se tornará seu leitor contumaz.
Esse leitor hipotético é uma minoria? Provavelmente sim, mas lembre-se que ele descobriu seu site por causa de um hype, logo…
Depois que já estava preparando esse post, descobri que há um meme sobre o assunto, para o qual fui convidado pelo Silvano Vilela.
Seria interessante termos a opinião do Sergio Lima (eu juro que não é provocação, apesar de raramente concordarmos em algo), do Janio, do Melo e do Guilherme.