Se você chegou aqui agora, leia esse post para não ficar perdido.
O Fabio Seixas escreveu um artigo refutando o que escrevi no post linkado, vou reproduzir alguns trechos aqui, para facilitar.
A blogosfera, principalmente através de seus membros auto-entitulados pro-bloggers, está vivendo a cultura da crítica irresponsável
Blogueiros ávidos por assuntos para seus blogs, no intiuto de garantirem desesperadamente seu chegue de AdSense no final do mês, estão criando críticas irresponsáveis, não embasadas e sem análise criteriosa.
1º. Nunca me intitulei problogger, apesar de viver de blogs, nem ao menos gosto do termo.
2º. Esse blog, apesar de faturar muito bem, não é nem de longe o que me dá mais lucro, logo, não vivo desesperado à cata de assuntos para “garantir o cheque do adsense”, além do mesmo não ser nem minha fonte de renda principal.
O que me motivou a escrever tal artigo não foi a ânsia por polemizar, no intuito de ganhar mais, simplesmente acontece que tenho verdadeiro pavor da mentalidade que gere os negócios/empregos nesse país. Me dá nos nervos ver a maneira como tudo funciona, mas, me adianto. Mais um trecho:
J. Noronha, seguindo a mesma linha, aproveitou a deixa do Cardoso e disse que somente chefes idiotas contratam pessoas para trabalhar alocadas fisicamente no mesmo local em empresas Web 2.0, além de achar que essa é uma situação ridícula.
Meu comentário lá:
O WeShow não é um blog colaborativo. É um projeto global, atualmente com atuação em 3 países e que estará presente em mais 3 países até o final do ano.
Coordenar uma operação dessa não é simples. Uma empresa como essa não pode contar somente com um grupo de pessoas que navegam na Internet de casa fazendo seu trabalho. Estou falando de 40 ou 50 surfers. Fica muito difícil coordenar o trabalho de todas essas pessoas remotamente.
Mas me espanta o fato de que, num país onde as taxas de emprego são tão altas, onde muitas empresas buscam um jeitinho de burlar a lei, não valorizarem ações como esta onde uma empresa gera emprego e faz tudo como a lei manda.
Me chama a atenção ainda o fato de as maiores empresas de web 2.0 do mundo terem escritórios. Google, eBay, 37 Signals, YouTube, etc, etc, etc. Os engenheiros dessas empresas não poderiam trabalhar de casa? Sim, claro. Mas isso não ocorre porque estas empresas sabem o quando é importante a criação de uma cultura empresarial e um ambiente
saldável de trabalho. E isso não tem nada a ver com chefes idiotas que só querem ter em quem mandar.Tenho certeza que, caso sua experiência como professor tivesse te dado uma visão mais empresarial, sua opinião seria diferente.
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Mas como como vivemos em mundo livre, todos temos direito a opniões.
O Noronha não aprovou e não publicou o meu comentário, talvez porque este faça sentido e quebre o raciocínio dele.
Infelizmente, não estava em casa e, mesmo que estivesse, o comentário foi engolido pelo antispam, não sendo possível recuperá-lo. Tentei eu mesmo reproduzir o comentário com a URL e o email do Fábio Seixas, mas novamente foi engolido, não sei qual o problema, já que o trackback entrou normalmente. Enfim.
1º. Desde quando seguir a lei virou motivo de aplauso? Daremos prêmios a quem não sair assaltando?
2º. Empresas como o Google, Ebay etc. não servem de termo de comparação. Já foi até matéria na televisão a maneira como o trabalho é realizado por lá. Além do mais, duvido que alguém ganhe o equivalente a R$ 1000,00 para cumprir uma jornada de 44h, muito menos que idade seja um dos ítens considerados ao contratar alguém. O Vale do Silício corre atrás de cérebros, não de perfis, e se esse cérebro é de um americano de 20 anos, ou de um indiano de 50, não faz diferença.
3º. Deixei de ser professor por absoluto desprezo à clientela atual de nossas escolas. Bandos de adolescentes com preguiça de pensar. Se tive 10 alunos capazes de um raciocínio sofisticado, ao longo de 10 anos no magistério, foram muitos. O que ser professor e ter “visão empresarial” tem a ver, me escapa e prefiro até não procurar os significados implícitos na frase.
4º Antes de ser professor, convivi com os mais variados chefes possíveis, das mais variadas formações e, até me provem o contrário, eram todos idiotas que sabiam apenas mandar. Pelo que converso com as pessoas que têm trabalhos regulares, a regra parece se manter até hoje. Lembrando que a parte do chefe idiota não foi endereçada especificamente ao Weshow, mas “irresponsavelmente” generalizada.
Esse País chegou ao buraco em que se encontra por maneiras de pensar perpetuadas desde sempre. A questão tão discutida da idade nos processos de seleção é uma forma de discriminação cruel. Hoje pessoas de 30 anos são velhas por decreto e não tem capacidade de discernir o que é “legal” para essa geração de miguxos analfabetos. Um comentário deixado lá no Contraditorium me chamou a atenção:
Tem que se ver o público álvo. Se fosse para montar uma rádio on line onde o público alvo são adolecentes, não adianta contratar uma pessoa de 35 para selecionar as músicas.
Existem pessoas de mais de 35 que fariam muito bem isso, mas é bem mais difícil, não? Mesmo pq se eles forem bons, não trabalhariam por R$1000,00.
A rádio de maior audiência entre o público adolescente, aqui em Porto Alegre, tem a maioria de seus locutores e programadores na faixa dos 40 anos, eu conheço pessoalmente a maioria que trabalha lá. Uma pessoa nessa faixa etária, sendo inteligente, consegue atingir o público que quiser, diferentemente de alguém menos experiente.
Muitas pessoas de mais de 35 anos trabalhariam sim por R$ 1000,00, já que não conseguem mais emprego justamente por causa da idade. E o círculo vai se fechando.
Para concluir esse artigo, antes que vire um tratado, um comentário do Donizetti sobre o assunto, que acho que conclui muito bem:
Só eu achei que essa de “filtro do processo seletivo” é outra forma de dizer “discriminação”? É como dizer que “anexar sua foto ao currículo para sabermos se você é a loira gostosa que queremos contratar não é discriminar as feias competentes, mas só um filtro do processo seletivo”. Droga, eu sou inteligente, sei achar vídeos legais e falar inglês, mas não vou poder ganhar 1000,00 só porque tenho 31 anos…
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Luciano Huck e Serginho Groissman que o digam. Por essa mentalidade feudal eles jamais fariam o que fazem.
Mas esta medida deles tem que ter algum sentido. O Fabio Seixas não ficou rico à toa.
O foda é que excluindo pessoas de fora da proximidade do local onde o WeShow está localizado, eles perdem muito. Tipo o Guilherme Zaiden, que é de Brasília e que poderia fazer vídeos muito bons com apoio do WeShow, estaria de fora da seleção deles.
Só um comentário sobre as “limitações” de um processo seletivo. Já respondi várias solicitações de empresas com alguma divergência do solicitado e algumas de minhas experiências anteriores surgiram dessa tentativa. Ah, o cara tem 31 anos. O que impede ele de enviar o currículo ou comparecer ao local para um papo? Eu estou em Londrina e só não envio curriculos para empresas que dizem *expressamente* que não aceitarão profissionais remotos.
Estou achando muita tempestade num copo d´água, sinceramente.
Eu não sei porque ainda levam a sério o Fabio Seixas, retirei ele do meu feed faz tempo, não leio. Ele só quer polemizar.
Acho que todos nós estamos precisando de um bom sexo pra relaxar. Apenas isso.
Como já disse no post anterior, eu já estou fora dessa seleção mesmo. Não quero criar polêmica, mas acredito que a idade não é barreira para esse tipo de coisa. Ainda pegando a música como exemplo, todos os radialistas e jornalistas de revistas de rock pesado (que tem 80% de seu público de adolescentes) tem mais de 40 anos. Então essa não pegou.
Uma menina comentou a respeito, acho que no blog do Cardoso, dizendo que a questão é bem mais profunda que a que envolve o empreendimento do Fábio, e eu concordo. Há toda uma cultura arraigada nos processos de seleção e contratação no Brasil que realmente tem sim traços discriminatórios. Já vi muita gente boa de mais de 40 anos perder vagas por ser “mão de obra cara” ou por “não ter um perfil dinâmico”. Trabalhei com RH e sei bem como é. Agora vamos por partes. O Fábio tem os motivos dele para selecionar dessa forma, e temos todo o direito de criticar, de apontar alternativas e o que seja. Mas há que se ter cuidado com a forma de criticar. Se alguém disse aqui que selecionar assim é “coisa de demente”, eu tb ficaria puto, afinal não é uma crítica, apenas um xingamento vazio. Agora, ao apontar todas as críticas como irresponsáveis, pura e simplesmente, acho que o Fábio também está errando. Acho que devemos aproveitar a oportunidade e lançar uma discussão mais aprofundada sobre a questão, de ambos os lados, tentando deixar o “pessoal” de lado, o que acham?
Conheço gente que trabalha em casa para o E-Bay, na Grande Los Angeles. O quê sei e confirmei na lei de 1967 é que discriminação por idade é ilegal nos EUA.
Lei federal 1967
Ou seja, o Equal Employment Opportunity Commission fiscaliza e aciona seu poder legal contra os patrões que discriminam por idade, raça, origem nacional, religião, sexo, etc. como estabelecido no Civil Rights Act que Johnson assinou em 1964.
E mais. Aqui a certidão de nascimento não tem nome dos pais nem cor da pessoa. A cor a gente vê e infere. Meu marido é café au lait na França e negro aqui.( a tal de “uma gota.”) Quantos brasileiros se acham brancos e chegam aqui enfrentando uma dura realidade; não o são. É um tal de sofisma aqui e ali, e eu sou grossa para os padrões tupiniquins porque não tenho papas na língua.
Você como professor pode não ter aprendido business. É educador, ou seja, saca de educação. A recíproca parece não ser verdadeira. Detesto sangue de barata. Diz logo –é preconceito sim, não quero muxibento/a na empresa.
Obrigada pela visita. As batatinhas? Depois.
Péraí, o cara de 50 anos respondendo sua profissao: sou websurfer. Isso aí é coisa pra muleque mesmo hem!
Sérgio, a gente vê hoje em dia jovens dirigindo grandes empresas, porque um senhor de 50 anos não poderia ser um websurfer? Olha, se ao 50 ou 60 anos, eu estiver aposentado, em casa, com meus netos sem ter o que fazer, eu gostaria de um trabalho desses, mata o tempo e rende alguma coisa..
Quem envelhece é o corpo e não a mente.
Abraços.