
O conhecimento pode ser uma bênção mas é também uma maldição.
Quando eu pisei em uma sala de aula pela primeira vez, eu tinha uma idéia completamente errada da espécie humana em geral e dos brasileiros em particular.
Na minha santa inocência, Batman, eu pensava que instruções serviam para ser lidas e que qualquer pessoa alfabetizada tivesse a capacidade inata de interpretar um texto.
Depois da primeira prova onde 99% dos alunos obtiveram nota zero, descobri que o que eu pensava ser uma regra, na verdade era uma exceção. A imensa maioria das pessoas é incapaz de seguir instruções simples, daí a origem da expressão “explicar a matéria”.
Eu cursei o ensino médio em uma época em que crentes eram uma minoria amplamente ridicularizada, música sertaneja era coisa de velho e livros uma companhia constante.
Se alguém mencionasse um “livro espírita” ou de auto-ajuda, seria alvo de piadas até o fim dos dias.
Estudar para provas e prestar atenção nas explicações do professor era coisa para os burros da sala. Nós passávamos a tarde matando aula sempre que possível e dávamos uma olhada na matéria na manhã da prova.
Isso tudo aconteceu em um passado recente, e isso é o que me assusta.
Quando tive meu primeiro contato com a Internet, ela ainda era um recanto de privilegiados, mesmo que esse privilégio se arrastasse como uma carroça com seus 56 kbps de conexão.
Quando comprei meu primeiro computador, acreditem, o Orkut não existia, veja você.
Observando a escória que domina a Internet, vulgo Orkut, hoje, e traçando um paralelo dos alunos do meu tempo do ensino médio com os de hoje, eu só posso concluir que o futuro é analfabeto.
As pessoas já não entendem o que lêem, falta pouco para que nem ao menos aprendam a ler.
Estou exagerando? Talvez, mas os blogs de maior sucesso me fazem crer que estou certo.
Veja bem, não estou chamando os donos desses blogs de analfabetos, pelo contrário, eles apenas aproveitam-se desse fato para abastecer seus visitantes com cada vez mais imagens e vídeos e menos texto. Eu mesmo faço isso em algumas seções do blog, já que filosofia de boteco não paga as contas.
Eu devo estar de mau-humor, mas esse texto saiu no modo automático depois que dei de cara com esse vídeo.
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Uma boa observação foi o fato de alguns desses blogs famosos, que todo mundo sabe quais são, fazerem realmente conteúdo quase que apenas pro povão.
E a receita deles é básica:
Post = imagem engraçada encontrada nalgum blog gringo = post pro meu público.
Ok, entendo o impacto dos analfabetos funcionais entrando de qualquer jeito na internet, da qualidade, yadayadayada…
Porém não entendi a relação com esse vídeo. É um vídeo-tutorial produzido pelo Google tal qual o do Maps e o do iGoogle. E pelo jeito são essas iniciativas “for dummies” que dão a esperança que a coisa não vai desandar de vez…
” Nós passávamos a tarde matando aula sempre que possível e dávamos uma olhada na matéria na manhã da prova.”
Eu ainda pratico isso,hahah.
Eu me sinto feliz em saber que não aprecio crentes, não gosto de sertanejo e muito menos de livros-espíritas…
Porra, quem dublou esse vídeo maldito?!
Então você quer que alguém entenda uma coisa sendo que aquilo não está explicado pro jeito da pessoa, pro estilo dela??
Você acha que eu sei alguma coisa de quimica que eu estudei há 10 anos no colegial??? tá…eu ainda lembro da tabela periodica..mas…você acha que eu ainda sei de alguma coisa de fisica?? quem sabe eu calculo com dificuldade a velocidade media …e olhe lá!!
Então..não gosto, nao me interesso, não estou afim, eu posso até ler um texto explicando direitinho..daí a entender??
O obvio é isso, você só está disposto a me mostrar as teorias que você sabe do seu jeito, o outro não está disposto a entender aquilo, não se interessa, junte a isso o fato de neguinho ir mais cedo pra escola, pior, forçar ele estudar dizendo que é pra passar no vestibular ou num concurso…
Aí ninguém chega a um ponto comum.
Ps:
Esse texto inspirou-me a escrever um post, (é que o comentário q/ eu queria fazer ficaria grande demais) Você permite? é que muita gente não pode ver alguém se inspirando em algo pra escrever no blog que diz que é plágio ou q/ é xupinhar o conteudo dos outros.
Iara,
Acho que esse País está me deixando velho antes do tempo, hehe…
Pode se inspirar à vontade
.
Meu post mais visitado de 2008 foi o da Mulher Melancia sem bunda. Escrevi UMA linha nele. Enquanto outros posts dos quais eu me orgulho em reler até hoje, não têm procura.
Relevância não é conteúdo, é demanda. O Google é um adolescente onanista e funkeiro, torcedor do curintia. Gosta da risada instantânea e da “selebridade cem calsinha”.
Em 2009 quero ser mais inescrupuloso. Se é pra vender o peixe na selva, nada mais lógico do que falar o dialeto nativo. Ou então me conformar em receber clap clap de meia dúzia de colegas, como aqueles intérpretes de boteco que ficam tocando MPB no violão em troca de cerveja de graça, e com sorte, conseguem arrastar uma moça embriagada pra casa no final da noite.
Eu tenho pressa.
56?
Eu conseguia, quando muito, 9 ou 14 kbps…caía conexão de 5 em 5 minutos…ainda se conversava de verdade, pelo icq. Os únicos amigos que conheci através da net que mantenho até hoje são dessa época.
Hoje já não dá mais para “bater papo” com ninguém.Internet virou uma extensão da TV, da pior parte dela, ou seja, quase tudo.
bah, já estou velha mesmo, ranzinza e amargurada, vou direto ás páginas que disponilizam e-books.
“Quando comprei meu primeiro computador, acreditem, o Orkut não existia, veja você.”
Eu também comprei um computador quando não existia Orkut. E me arrastava na internet com um modem de 14400 bps. E não sou tão velho assim.
“Observando a escória que domina a Internet, vulgo Orkut, hoje, e traçando um paralelo dos alunos do meu tempo do ensino médio com os de hoje, eu só posso concluir que o futuro é analfabeto.”
É. A idiocracia nos espera.
Que colégio era esse onde 99% dos alunos tiraram zero na prova?