As Piores Músicas de Churrascaria

Quem nunca foi a uma churrascaria com música ao vivo que atire a primeira pedra. Ficamos empolgados com a idéia da orgia alimentar e esquecemos do transtorno musical que isso envolve.

O cantor de churrascaria típico é um cara que ou está começando ou já chegou ao fundo do poço. Qualquer que seja a hipótese, em uma coisa todos são parecidos: o tipo de música escolhido, que em tese deve agradar a gregos e troianos.

Até acredito que agrade, dada a mediocridade que campeia pelo mundo em geral. Isso me lembra outro fenômeno contemporâneo: o Xis (lanchonete no Rio Grande se chama Xis) familiar onde casais se reúnem felizes em volta de uma mesa com crianças gritando ao redor e uma garrafa de 2,5 l de Coca-Cola em cima. Mas isso é assunto para outro post.

Pensando nisso tudo, elaborei uma lista com as 5 piores dos cantores de churrascaria.

5. New York New York

O problema não é a música, é o idioma. O cantor de churrascaria típico pensa que sabe inglês o suficiente para encarar a música que já ouviu tantas vezes. Porém ele esquece que parou no verbo to be e sempre que ouviu a clássica do you speak english? respondeu com uma das variantes mais comuns: more or less ou so so.

Mas isso não é nada para nosso herói da costela. O cara capricha no embromation e jura que está agradando.

4. Fio de Cabelo

Eu não entendo o sucesso desse tipo de lixo música e entendo menos ainda seu sucesso entre os jovens. E olha que não sou o que se pode chamar de velho. Quando eu cursava o ensino médio, qualquer colega em sã consciência teria medo de falar em público sobre música sertaneja. Seria a danação eterna (ou até a formatura) sendo sacaneado por seu mau-gosto.

De repente, talvez por culpa da Xuxa, que vivia enfiando esses idiotas (leia-se por idiotas qualquer dupla sertaneja) no seu programa matinal de imbecilização de crianças, hoje é comum ver garotas de 15 anos comprando o último CD do Zezé di Camargo e Luciano ou Bruno e Marrone no camelô mais próximo. Sim, no camelô, estatísticas que inventei agora comprovam que quem gosta desse tipo de música sempre compra os piratas da esquina. Só isso explica a quantidade de CDs desse tipo made in Paraguai.

Até o dito jornalismo sério padece do mal. Outro dia estava assistindo ao Jornal do Almoço (programa tradicional da televisão gaúcha) e a repórter de externas falava sobre um show que contaria com a participação de Marky Ramone, figurinha fácil em Porto Alegre nos últimos tempos. O crime aconteceu quando ela referenciou a tradicional banda de punk rock da qual ele participava:

Os Marrones.

3. Detalhes

Roberto Carlos teve sua boa fase, provavelmente antes de todos nós termos nascido, mas é o que ouço falar.

Um amigo meu foi a seu show para efeitos didáticos, disse que tinha que ver com os próprios olhos o que acontecia nos shows do galã da menopausa com mau-gosto. Agüentou até mais ou menos a metade quando, segundo ele, terminou o show e começou a missa.

Eu bem que tentei demovê-lo do tresloucado gesto, o que se pode esperar de um cara que andava com um padre carregando uma estátua na mão à tira-colo? (ainda vou escrever um livro sobre os maiores romances proibidos do século 20 e, podem ter certeza, Padre Antônio Maria, Padre Marcelo Rossi, Roberto Carlos e Gugu Liberato serão citados)

Enfim, Roberto já se desculpou dizendo que sofre de transtorno obsessivo compulsivo, eu acho que é breguice mesmo. O que mais pode explicar as calças em cima do umbigo e o cinto com fivelão? E o cabelo, que deve ser moda em algum lugar do mundo, não ajuda em nada, ainda mais depois que começou a ficar escasso em cima.

2. Bailes da Vida

Há muitas gerações, mais ou menos no final da última era glacial, houve uma coisa chamada clube da esquina. Tudo que sei a respeito é que aconteceu em Minas Gerais e envolvia o Milton Nascimento. Dizem que ele fazia boas músicas na época. Isso foi bem antes delas entrarem em trilhas de novelas da Globo, o atestado definitivo de que sua música: a) é ruim; b) entrou na fase de decadência irreversível ou; c) todas as alternativas.

Escolhi uma versão particularmente ruim, com Daniela Mercury, a irmã bastarda do Fred, cantando junto.

1. Metamorfose Ambulante

Esse merece figurar em várias listas, música de acampamento, música de bêbado com violão no boteco et alli.

Honestamente, não sei o que tanta gente vê em Raul Seixas. De toda sua carreira, devo gostar de meia-dúzia de 3 músicas, e Metamorfose Ambulante não é uma delas.

Até pouco tempo atrás, quem gostava do Maluco Beleza costumava ser meio avesso à banhos e usar aquelas batas feitas da cortina da avó.

Você pensa que o mal se estanca?

Hoje é comum ouvir dos mais insuspeitos que o cara era gênio, o que quer que seja que isso signifique.

Toca Raul!

Pensando bem, isso renderia um belo meme. Qual sua lista de músicas de churrascaria?

Escrito por

j. noronha criou esse site em 2006, além de outros menos memoráveis.

Siga-me no Twitter

Gostou? Receba mais no seu email, é grátis!