A Revolução Não Será Televisionada

Uma série de trackbacks sobre o mesmo assunto me levou a escrever sobre ele novamente.

O Marco Gomes removeu totalmente e o Gilberto reduziu ao mínimo o uso do Adsense em seus blogs. A frustração vem da constatação de que não rendia nada face ao conteúdo que produzem.

Noshperatt, por sua vez, começa a se aprofundar na questão dos nichos e, mais importante, por que alguns nichos rendem e outros não.

O que o blog do Marco e do Gilberto têm em comum? Escrevem para um público que é o chamado “techsavy”, o pessoal que nem enxerga anúncios, muito menos clicar ou comprar algo através de um link patrocinado.

Para quem pensa que esse problema é exclusividade de quem escreve em português, recomendo assistir ao vídeo que o Darren Rowse publicou recentemente, falando exatamente sobre esse assunto. O vídeo explica porque ele não utiliza mais anúncios do Google no problogger.net.

Como nem todos dominam o inglês, vou resumir alguns pontos que parecem ser comuns a qualquer blogosfera, seja em que língua for.

  • Rende muito pouco.
  • O público blogueiro tem “cegueira para anúncios”.
  • Torna mais difícil a venda de anúncios diretos, por dois motivos:
  1. Alguns anunciantes não querem seu nome associado a um blog que utiliza Adsense, por acharem que esse tipo de anúncio gera uma imagem “pobre” do blog.
  2. Outros preferem anunciar diretamente via Adsense, que é mais barato do que anunciar diretamente.

Dinheiro

Ao mesmo tempo, ele aponta soluções que podem ser facilmente aplicadas a cena brasileira, com um pouco de criatividade.

Antes de falar nisso, um aparte:

A blogosfera brasileira parece pensar muitas vezes que o Adsense é o único programa de afiliados que existe. Não estou dizendo que é o caso dos blogueiros citados, todos sabem que o Marco é responsável pelo Boobox, e o Gilberto é muito inteligente para ter esse tipo de visão. Falo de blogueiros iniciantes, que pensam que esse tipo de anúncio é a panacéia universal.

Não só os metablogs padecem de carência de cliques, todo blog focado em leitores de nível técnico mais alto vêem o mesmo acontecer.

Isso não quer dizer que é impossível ter uma boa renda com esse tipo de site, mas requer bem mais trabalho:

  • Invista em programas de afiliados que podem realmente interessar a sua audiência, como hospedagem e design de sites.
  • Esses programas não existem? Corra atrás, faça contato com empresas do meio e divulgue seu blog.
  • Seu blog é um ilustre desconhecido?
  • Isso leva a outro detalhe importante: tempo. Só o tempo e o trabalho constante na geração de conteúdo irão torná-lo conhecido. Não pense em termos de semanas ou meses, anos é mais apropriado, na maioria dos casos.
  • Invista em um shopping do Mercado Livre, por exemplo. Coloque-o no mesmo domínio do seu site, aproveitando-se da url. Elas serão indexadas e buscas por produtos acabarão chegando até você. É a melhor maneira de oferecer exatamente o que o leitor estava procurando.
  • Por último, mas talvez o mais importante. Visitação. Ninguém vai ganhar com meia dúzia de visitas por dia. E visitação alta leva tempo para ser atingida.

Uma dica não técnica para concluir: leia esse artigo do Bruno Alves, no qual ele fala, entre outras coisas, sobre certas práticas e idéias que têm se espalhado pela blogosfera e que mais atrasam a vida dos blogs do que qualquer outra coisa.

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23 Comentários para “A Revolução Não Será Televisionada”

  1. Marco Gomes disse:

    O melhor é ler um post cujo título não é caça-paraquedistas… Parece que meu “indice de respeito” aumenta quando vejo isso.

  2. Digníssimo Mestre,
    Tenho uma pergunta blogo-existencial que me atormenta há muitos meses. Quando você fala em visitação alta, o que isso representa em números e de que contador? Se leio os números de visitas no log do meu provedor, não batem com os números do adsense, com os números do analytics, com os números do sitemeter entre outros… Uma luz por favor… ;-)
    Abraços e sucesso,

  3. j. noronha disse:

    Nelson,
    Uns dizem que os dados mais corretos são os do servidor, já outros que nem esse dá para confiar. Eu confio mais no servidor, já que registra quem passou pelo site, independentemente de qualquer critério. O sitemeter é meio obscuro na questão pageviews, e o Analytics um mistério completo.

  4. NaCara disse:

    Noronha… tem razão. A televisão não vai mostrar a revolução. Há um certo tempo já notei que usuários mais avançados não clicam em nada.

    Solução: Abandonei os techsavys…

    Resultado: $ X 4

  5. Bernardo Pina disse:

    Eh… Me encontro na mesma situação do Gilberto. Tenho aproximadamente o dobro de assinantes em relação aos visitantes únicos diários. Blog de nicho é fogo… rs

  6. MaxRaven disse:

    Tem bastante tempo fizeram um estudo sobre a cegueira de anúncios, contataram que quanto mais tempo de navegação a pessoa tem, mais cega a publicidade ela é, agora imaginem quem alem de ter muito tempo tem tbm conhecimento técnico, até por isso tem gente gastando muita grana na pesquisa de novas formas de publicidade online.

    Quanto aos dados mais corretos, apostaria tudo nos logs do servidor, aprendi que eles são os corretos para analise de trafego, mas também já fiz algumas experiências que me mostraram que analytics e outros podem ser bons, mas não totalmente confiáveis.

  7. Oi Noronha,

    Questões como “a melhor forma de monetizar” não apenas os blogs/sites mas as todas as atividades correlatas do blogueiro ou do(s) mantenedor(es) do blog/site não têm a ver muito com a vocação do blog/site?

    Porque formas existem as mais diversas e a cada dia surgem novas (on e, sobretudo offline)… não creio que haja uma solução universal, mas algumas soluções para cada caso específico, em função, sobretudo, da vocação do empreendimento (pra não repetir uma vez mais “blog/site” – rs). É isso?

  8. Bom dia:

    O título do post me lembrou ‘The Last Poets’ — When the Revolution Comes.

    Muito legal e verdadeiro. Trabalhar com adworks é o quê há.

  9. j. noronha disse:

    Wagner,
    Não sei se no Brasil existem tantas formas, vejo mais a necessidade de se adaptar ao que existe ou atacar em áreas mais amigáveis de conteúdo.

  10. Mestre,
    Voltando à minha pergunta ali de cima, o comentário #2, entendi que a fonte mais confiável é o log do servidor (esse é o que me dá mais visitas :-)
    Mas a partir de quanto já se pode considerar uma visitação alta.
    Desculpe insistir Mestre. ;-)
    Abração,

Trackbacks/Pingbacks

    1. [...] última postagem que achei interessante sobre os meta-blogs foi: A Revolução Não Será Televisionada. Acredito que o autor foi preciso quando deixou de lado o maniqueísmo que cerca o assunto. Entendo [...]

    2. [...] A revolução não será televisionada [...]

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