A Propaganda e as Mulheres

Por muito tempo, era comum ouvirmos a afirmação segundo a qual a publicidade brasileira era uma das melhores do mundo. E acredito que fosse verdade.

Lembro de vários comerciais notáveis, desde o slogan, passando pelo mote, até a realização.

Comerciais que apelavam à inteligência do espectador, sem deixar de agradar ao QI mediano.

Quem já passou dos 25 certamente lembra desse comercial da Cofap, que certamente evitava (ou ao menos adiava) a troca de canais entre um bloco e outro de programação.

Eu poderia enfileirar uma série de vídeos aqui, mas certamente você também lembra de vários que marcaram época.

Ultimamente, é cada vez mais raro se encontrar algo de original ou ao menos inteligente.

Em pleno século 21, as agências (ou os fabricantes) insistem em associar comerciais de panelas e coisas do gênero às mulheres.

Um em particular (não vou citar qual porque nossos advogados continuam em férias) prima pelo mau-gosto. Mostra legítimas donas-de-casa de sitcom americana dos anos 50, concluindo com a imagem de uma menina com trajes dignos dos Waltons (boa noite, Mary Ellen).

Lucille Ball

Eu sei que homens raramente compram panelas, mesmo aqueles que cozinham diariamente. Mas raciocine comigo, Sr. Publicitário:

Se você fosse uma mulher que trabalha, se sustenta e, muitas vezes, sustenta a família inteira, gostaria de ser retratado como alguém cuja maior preocupação na vida é empilhar suas frigideiras?

Com a palavra, as mulheres.

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Comentários

6 Comentários Para “A Propaganda e as Mulheres”

  1. Hamilton em 30 04 2008 às 9:08 am

    Acho que ainda não vi esse comercial que tu tá falando mas os últimos da Tramontina são os produtos em um fundo preto, das frigideiras que empilham… Tarantino já disse certa vez: "Nada se cria, tudo se copia", muita gente faz isso mesmo, principalmente em música e cinema.

    Só queria deixar claro que não sou mulher nem traveco viu… hehe Falando em traveco, viu que o Ronaldo catou uns no calçadão do Rio e depois disse que "se enganou-se"? hehehe

  2. Gabi em 30 04 2008 às 9:19 am

    Panela = mulher retardada
    Cerveja = gostosa de biquíni
    Margarina = mãe de família feliz

    Juro que se alguém mudar esse script, eu compro o produto…

  3. tina oiticica harris em 30 04 2008 às 7:30 pm

    Ronaldo? Qual Ronaldo? Aquele que chupou caldo? Primo do Mário?

    É certo que hoje a sacanagem é o que importa. Teu blog não estava dando acesso há um tempão. Você deve saber através de algum feed que minha mãe morreu na segunda meio que derrepente. Mas nada mata a curiosidade alheia.O telefone não pára .Everybody wants to go to heaven but nobody wants to die. Ditado que aprendi no Harlem.

  4. cilene em 01 05 2008 às 1:07 am

    Nisso a Noruega ainda estå na frente tem muito comercial de bom gosto aqui que vale nao mudar de canal. As vezes eu nem imagino aquele comercial se trata daquilo mesmo porque as vezes nao tem nada a ver e tudo a ver.

  5. em 07 05 2008 às 5:38 pm

    O meio publicitários (pelo menos o povo que ainda tá na faculdade, como eu!) também já cansou desses formatos pré-fabricados de comerciais!
    De qualquer forma existem dois problemas: 1. se ainda é assim é porque vende. 2. se vende como provar para o cliente que o povo não agüenta mais isso?

  6. Alex em 08 05 2008 às 1:35 pm

    A publicidade sem mulheres, não exciste, pelo menos para muitos produtos e assim é a vida, somos educados por mulheres e precisamos ver mulheres na publicidade, de qualquer forma e jeito… ;-)

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