Por muito tempo, era comum ouvirmos a afirmação segundo a qual a publicidade brasileira era uma das melhores do mundo. E acredito que fosse verdade.
Lembro de vários comerciais notáveis, desde o slogan, passando pelo mote, até a realização.
Comerciais que apelavam à inteligência do espectador, sem deixar de agradar ao QI mediano.
Quem já passou dos 25 certamente lembra desse comercial da Cofap, que certamente evitava (ou ao menos adiava) a troca de canais entre um bloco e outro de programação.
Eu poderia enfileirar uma série de vídeos aqui, mas certamente você também lembra de vários que marcaram época.
Ultimamente, é cada vez mais raro se encontrar algo de original ou ao menos inteligente.
Em pleno século 21, as agências (ou os fabricantes) insistem em associar comerciais de panelas e coisas do gênero às mulheres.
Um em particular (não vou citar qual porque nossos advogados continuam em férias) prima pelo mau-gosto. Mostra legítimas donas-de-casa de sitcom americana dos anos 50, concluindo com a imagem de uma menina com trajes dignos dos Waltons (boa noite, Mary Ellen).
Eu sei que homens raramente compram panelas, mesmo aqueles que cozinham diariamente. Mas raciocine comigo, Sr. Publicitário:
Se você fosse uma mulher que trabalha, se sustenta e, muitas vezes, sustenta a família inteira, gostaria de ser retratado como alguém cuja maior preocupação na vida é empilhar suas frigideiras?
Com a palavra, as mulheres.