A Involução da Comédia em 2 Tempos

Schave & Reilly Comedy Duo

Imagem por Eschipul, via Flickr

Nesse final de semana, com o clima alternando-se entre frio e mais frio, fui parar em uma locadora, atrás de alguns filmes que me mantivessem algumas horas longe do computador e de uma iminente tendinite.

Quem já visitou a seção de comédias sabe o nível do que está disponível nos últimos tempos.

Pensando nisso, resolvi correr atrás de alguns vídeos que mostram como a comédia involuiu no decorrer dos anos.

O Trigo

Irmãos Marx – Um Dia Nas Corridas

Esse vídeo não faz jus ao humor dos Irmãos Marx, mas foi o único que encontrei legendado.

O líder da trupe, Groucho Marx, serviu e serve de inspiração até hoje para diretores e roteiristas do calibre de Woody Allen.

Algumas de suas máximas:

Eu nunca esqueço um rosto, mas no seu caso vou abrir uma exceção.

Eu trilhei meu caminho do nada até um estado de extrema pobreza.

Política é a arte de procurar por problemas, encontrá-los em toda parte, errar no diagnóstico e aplicar o remédio errado.

Em quem você vai acreditar, em mim ou seus próprios olhos?

Esposas são pessoas que acham que não saem para dançar o suficiente.

Monty Python – Ninguém espera a Inquisição Espanhola!

Alguém já disse que o Monty Python é o equivalente inglês d’Os Trapalhões, para quem completou o ensino médio (eu acrescentaria no mínimo).

O humor é repleto de referências históricas, fugindo do lugar comum da cultura pop. Suas piadas podem ser compreendidas por qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, desde que as mesmas não sejam fãs de Zorra Total e similares.

Zucker, Abrahams e Zucker – Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu

Os irmãos Jerry e David Zucker conheceram Jim Abrahams na infância e revolucionaram o gênero com esse filme.

De certa forma, eles são os culpados por esse lixo que é produzido em massa e muitas vezes é lançado diretamente em DVD.

A principal diferença é que tudo era feito com criatividade e inteligência. Mais de uma piada acontecendo ao mesmo tempo, referências bem-dosadas de outros filmes…

O Joio

Os Espartalhões

Esse filme, que tenta ser uma sátira de 300, resume o ponto a que é possível chegar quando se desliga o senso crítico.

Os Espartalhões é o ápice de tudo que é ruim. Perto dele, a série “Todo Mundo em Pânico” é composta de filmes de arte.

É um marco, um divisor de águas entre o lixo a que já estávamos acostumados e o new lixo.

Se a imensa maioria das comédias atuais subestima a inteligência do público, esse filme parte do princípio de que o público é mais estúpido do que é possível mensurar.

As referências a outros filmes rendem cenas insuportavelmente longas e sem-graça.

Como se não bastasse, várias são explicadas.

Exemplos? O sujeito encontra um cubo no chão e profere: O cubo Transformer!.

Esse sujeito é aquele ator gordo que aparece em Borat. O narrador diz quando ele aparece: o gordo de Borat.

Acha pouco? Tem mais.

Uma gosma preta cobre o corpo de Carmen Electra e se transforma em uma roupa idêntica a que aparece em Homem Aranha 3.

Sim, o narrador intervem para dizer igual a Tobey Maguire em Homem Aranha 3.

Caso encerrado.

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Vitrine Submarino 3.4.1

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5 Comentários para “A Involução da Comédia em 2 Tempos”

  1. Dan disse:

    De vez em quando eu assisto uns vídeos do Monthy Fhanton, e penso nisso.
    Mas eu acho que, comédia sem graça tem mais na TV do que no teatro, é um bilhão de vezes melhor ver a companhia Os Melhores do Mundo no teatro do que no Zorra Total.
    A impressão que eu tenho é que eles inventam um personagem que seja fácil de entender e juntam com um assunto da moda e formam essa porcaria que é o Zorra Total.

  2. Phil disse:

    Monthy Fhanton???

  3. Caro Amigo, concordo com você em gênero, número e grau.

    Também sou cinéfilo e admito que busco incessantemente por filmes que me façam rir, mas está cada vez mais difícil. Quando a gente pensa que já acabou eles conseguem piorar um pouco mais.

    Hoje somos obrigados a aturar filmes que beiram o ridículo e você nem precisa chegar em Todo Mundo em Pânico, o comediante americano Ben Stiller, endeusado pela crítica americana, têm feito filmes difícieis de engolir, como o “Antes só do que mal acompanhado”. Eu prefiro nossas comédias como o Auto da Compadecida e Lisbela, não são de matar de rir, mas são muito mais agradáveis de ver…

    Abraço

  4. Flavio Ferreira disse:

    Assistam aos stand up comedy feitos por Eddie Murphy (especialmente Delirious, de 1983) e vejam como a $$$, a saída do Saturday Night Live, uns executivos de estudio chinfrins e a falta de noção de um público sem cérebro podem fazer com um comediante brilhante.
    Uma boa dica pra quem curte esse tipo de humor (stand up)também são os shows de Richard Pryor, Chris Rock e do gênio Jerry Seinfeld, vale muito a pena…

  5. Rochester disse:

    Baixei a poucos dias Monty Python em Busca do Cálice Sagrado… muito bom, também!

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