Alguns filmes tornam-se tão ridículos depois de um tempo que você pensa “como pude gostar disso?” ao assistir a uma reprise.

Outros, no entanto, resistem bravamente ano após ano, muitas vezes tornando-se até melhores do que na época em que foram lançados.

De Volta Para o Futuro I, II, III (Back to the Future, 1985)
Adolescente usa máquina do tempo, um DeLorean (como se você não soubesse), para fugir de terroristas e vai parar em 1955, onde tem de aproximar seus futuros pais e ainda encontrar um meio de voltar para o presente (no caso, futuro, o que explica o título).
Talvez o melhor filme sobre viagens no tempo já feito, seus efeitos especiais resistem bem até hoje, assim como o humor e o ritmo vertiginoso de algumas cenas.
A sequência final do primeiro filme homenageia o cinema mudo, mais precisamente os filmes de Harold Lloyd, que não usava dublês em cenas geralmente perigosas, envolvendo prédios altos e afins.
O segundo é o mais fraco, mas mesmo assim apenas se comparado aos outros da trilogia.

Gremlins I e II (Gremlins, 1984)
Bichinho fofinho não pode ser alimentado ou molhado depois da meia-noite, ou transforma-se em uma versão punk nada amigável.
O filme abusa do humor negro e o diretor, oriundo dos filmes de terror roots, pega pesado nas cenas de violência.
Alguns críticos consideram o filme uma resposta norte-americana a invasão da indústria japonesa de automóveis e eletrônicos que acontecia na América nos anos 80, sendo os Gremlins o invasor.
Talvez tenha um fundo de verdade, principalmente na voz de um personagem que volta-e-meia reclama da falta de qualidade de produtos estrangeiros.
Enfim, seja qual for a verdade, continua sendo pura diversão.

Blade Runner, O Caçador de Andróides (Blade Runner, 1982)
Uma Terra sombria onde chove o tempo todo e os carros voam. Robôs foram desenvolvidos à perfeição, sendo quase impossível diferenciá-los dos humanos.
Eles rebelam-se e partem em busca de solução para seu único problema: viver apenas 4 anos.
Blade Runner é daqueles filmes que fizeram história desde o lançamento (ficou em cartaz por uns 10 anos em Porto Alegre) e já foi relançado de todas as formas possíveis, a última delas em uma versão do diretor, sem narração em off e com final mais sombrio.

O Iluminado (The Shining, 1980)
Aspirante a escritor com histórico de alcoolismo e violência familiar aceita um emprego como zelador de um hotel que fecha durante o inverno. Ele leva a mulher e o filho e espera aproveitar o tempo para escrever. Claro que tudo dá errado.
Um dos filmes de terror mais assustadores de todos os tempos, utilizando-se principalmente da criação de climas.
A sequência inicial, com o carro subindo a estrada para a montanha, já é assustadora pela maneira como a música é utilizada.
E se você achou a cena familiar, é porque partes não aproveitadas foram utilizadas na sequência final de Blade Runner.

O Último Tango em Paris (Last Tango in Paris, 1972)
Viúvo americano quarentão se envolve com francesa de 20 e poucos anos que conhece em um apartamento que os dois querem alugar.
O filme causou escândalo por suas cenas apimentadas e chegou a ser proibido por muitos anos no Brasil, que vivia os áureos tempos da estupidez golpista.
Muita gente ia até a Argentina assistir e depois aumentava os detalhes escabrosos para os amigos que não tiveram a oportunidade (não esqueça que não havia internet, nem ao menos o vídeo-cassete havia sido inventado ainda).
Marlon Brando dá um show, e o curioso são os detalhes de bastidores:
Ele não decorou uma linha do roteiro e lia suas falas de papéis espalhados pelo cenário. O diretor se aproveitou da miopia do ator para manipular suas expressões, afastando os papéis para que ele tivesse de esforçar-se para ler.

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971)
Sujeito divide seu tempo entre a leiteria Korova, bebendo Moloko Vellocet, e as ruas de uma Inglaterra futurista muito parecida com a atual (o futuro é representado nas roupas e móveis, a maior parte do tempo), onde ele e seus droogs praticam “a boa e velha ultra violência”.
Os diálogos utilizam vários termos, como o Moloko Vellocet ou droogs acima, inventados pelo autor do livro que deu origem ao filme, Anthony Burgess; são tão bem inseridos na história que todos fazem sentido.
Se você é uma das 8 pessoas que ainda não assistiram a Laranja Mecânica, pare tudo agora e vá atrás do filme.
A história continua perfeitamente atual e a coreografia das cenas de luta continua impressionante.
Algumas versões lançadas em DVD no Brasil tem uma tradução porca. A pior que eu vi traduzia o nome do personagem principal, “Alexander the Large”, para Alexandre o Largo, ao invés de Alexandre o Grande.

O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1968)
Mulher engravida logo após mudar para um novo apartamento e começa a desconfiar que algo está errado. Seu marido começa a agir de forma estranha e se junta a vizinhos no mínimo esquisitos.
Várias dúvidas vão se acumulando ao longo do filme:
O marido já planejava tudo? Algo estava acontecendo mesmo?
O pai de todos os filmes de crianças endemoniadas; assim como em O Iluminado, o terror é mais sugerido do que visto.
Na verdade, não lembro de nenhuma cena mais explícita, o que não reduz o nível de tensão que permeia o filme do início ao fim.